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  • Miguel Fernández

Itararé, a segunda batalha que não houve

Atualizado: 1 de Jun de 2020

Por volta de 1972 fui fazer um estudo-projeto para a prefeitura de Londrina. Viabilidade do abastecimento de água integrado, captação no rio Tibagi, tratamento, bombeamento e adutora passando por Ibiporã, Londrina, Cambé, Rolândia, Arapongas, Apucarana, Cambira, Jandaia do Sul, Mandaguari e Marialva. Coisa grande. Prefeito visionário, estadista, um tal de Paranaguá.


Fui de carro para conhecer a região, onde nunca tinha estado (um fusquinha verde-calcinha placa Rio de Janeiro).


Na fronteira São Paulo - Paraná, perto de Ourinhos, do lado do Paraná tinha um outdoor enorme, novinho, virado para quem chegava de São Paulo, com um aviso e o novo “slogan” do governo do Paraná:


"você está entrando no PARANÁ, AQUI SE TRABALHA"


Fiquei uns bons dias por ali, a trabalho. Talvez uma semana.


Ao voltar, de novo na fronteira , desta vez do lado de São Paulo, estavam inaugurando um outro outdoor do mesmo tamanho, mas virado para quem chegava do Paraná:


"você está entrando em SÃO PAULO, AQUI TRABALHO NÃO E NOVIDADE"


Falta do que fazer, de ambos os lados!


Um amontoado de gente adulta, e muitos, muito irritados.


Esbocei um sorriso que deve ter soado como gozação para ambos os lados pois tornava evidente a bobagem deles e todos me olharam feio. Meu carro era placa do Rio, não tinha grupo de apoio por ali. Como se dizia: “peru de fora não se manifesta”.


Preocupei.


Como Itararé fica a poucos quilômetros dali pensei: “será que a famosa batalha de Itararé, a tal que não houve, iria finalmente acontecer ali e eu ia ser o único ferido?

Não fiquei pra ver. Preocupado com o clima meio belicoso, fui embora acelerado mas lembro de ter tirado foto das duas placas. Quando achar posto aqui.


Essa fronteira precisa ser melhor investigada pelos psicólogos.

Engº Miguel Fernández y Fernández, consultor e articulista

mai2020

1657 toques, com espaços

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