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Engenharia Pública e sociedades de engenheiros

  • Foto do escritor: Miguel Fernández
    Miguel Fernández
  • 18 de dez. de 2025
  • 2 min de leitura

Atualizado: 5 de jan.

Atendendo o convite de um colega, ex-presidente da entidade, fui à posse de uma nova diretoria de uma velha sociedade de engenheiros, arquitetos e afins, vinculados ao dito “serviço público”.  Era jul2023, auditório lotado, o mais jovem teria 60 anos de idade...

O nome do auditório era de um ex-professor meu. Pelas paredes, diversas placas em metal fundido, com homenagens. Acho que conheci e/ou trabalhei com 80% dos ali citados. Desses 80%, altamente qualificados, capazes e dedicados. Emocionei-me ao reencontrar velhos e velhas colegas de profissão, de venturas e de desventuras. Creio que a emoção era recíproca.

No início, o Francisco, seus 83 anos, instado a falar, de surpresa, teve que improvisar e saiu lembrando de quando entrou para o serviço público, na década de 1960, no DER (Departamento de Estradas de Rodagem). Que, nessa época, nesse DER, havia cerca de 400 engenheiros e que, hoje, só há cerca de 35 e já são cerca de 6.000km de estradas (o dobro da época dele). Lembrou que ser “engenheiro público” era uma missão de vida. Em que se recebia a experiência e o acêrvo dos que ali já estavam e se repassava à geração seguinte com a sensação do dever cumprido. Não entrou no mérito dos “porquês” isso ocorreu. Nem se achava hoje melhor ou pior. Deixou cada um tirar suas conclusões. Falou pouco e bem.

Para quem não é mais engenheiro do Estado, mas já foi, para quem admira os dedicados que por lá passaram e os que ainda estão, para os observadores não “militantes”, chamou atenção a mesmice dos demais discursos, tentando ser “politicamente corretos”, “socialmente engajados”, “defendendo igualdade de gênero”. Um show de infantilidades. Sobre a falta de concursos públicos para as carreiras, foram feitas apenas referencias “em passant”.

Mais adiante, falou outro engenheiro, desses octogenários, como o Francisco, mas foi um desastre. Começou elogiando a área ambiental, justo uma das que mais atrapalham o Brasil e a engenharia brasileira, agindo como se o ambientalismo fosse um fim em si mesmo. Reclamou de possíveis alterações de legislação, justo das que tentam defender o progresso de excessos do “ambientalismo canhestro”. Para não perder a seara em que se meteu derivou em falar da “ditadura militar”, caindo no lugar comum de esquecer que os militares também são funcionários públicos, que também os há bons e ruins, como em qualquer grupo. Esqueceu que esses enfoques só desunem o interesse público e facilitam sermos dominados por outros, certamente alienígenas. Ficou no ar se seria inocência ou efeito manada.

Sobre o fato de que as escolas de engenharia, com suas reservas de mercado para docentes profissionalmente inexperientes, não mais usarem professores engenheiros públicos, cheios de saber e até com tempo para lecionar, como era nos anos 1960 e 1970, auge da formação da engenharia brasileira, nem um pio nos discursos.

Ou seja, lamentações, muitas. Diagnósticos e sugestões, nada.

Como disse no início, a maioria preocupada com o politicamente correto, poucos “botando-o-dedo-nas-feridas”.

Saí pensando: como fazer para nos salvar e salvar esse pessoal de si mesmos?



Miguel Fernández y Fernández, engenheiro, cronista e articulista, membro da Academia Nacional de Engenharia e do Instituto de Engenharia # escrito entre 2023jul21 R2025outRf,  3.146 toques
 
 
 

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