Buscar
  • Miguel Fernández

Pandemias & Pandemônios (Esclarecimentos Esclarecedores)


Estamos em princípos de abril de 2020, há cerca de 15 dias em quarentena oficial (tecnicamente em afastamento social horizontal – todo mundo em casa). Isso porque estamos vivendo uma pandemia global provocada por um vírus de nome SARS-COV-2 (coronavirus detectado na China em fins de 2019). Dizem que ficará historicamente tão famosa quanto a pandemia havida em 1918, ou seja, há 102 anos, que ficou conhecida como “gripe hespanhola”.

Com o advento relativamente recente da internet, o monopólio da verdade ou da mentira saiu da imprensa tradicional e, de repente, todos se tornam especialistas em epidemiologia e todos dão seu pitaco, causando grande confusão, um pandemônio!. Passam a achar que entendem do assunto (propagação de vírus) a partir de reportagens superficiais só porque está bem escrita, ou de uma notícia de televisão falada em tom solene-sério-convincente ou até para não sofrer bullying ideológico de alguém no trabalho ou na turminha.

Com a crescente polarização politico-ideológica por que passa o mundo, temas técnico-científicos transformam-se em debates, ficando entre o trágico e o cômico. Até pessoas sérias, cultas, sem se dar conta, ao ir a um médico para um diagnóstico, passaram a se interessar em quem o profissional votou para avaliar se o diagnóstico é confiável ou não. Um “meme” genial que está circulando resumiu bem a coisa:

QUEM NÃO ESTIVER CONFUSO NÃO ESTÁ BEM INFORMADO !  Perfeito!

Frente às opiniões absurdas que circulam, com possíveis interesses político-mercenários, ninguém ouvindo ninguém, sendo profissional de área correlata (engenharia sanitária), me propus escrever este artigo, registrando, esclarecendo e resumindo alguns assuntos em voga e considerando que a questão gira muito em torno de bioestatísticas, reais ou imaginárias. Acredito estar sendo útil àqueles que, com frequência, perguntam sobre o assunto. E aos arqueólogos do futuro, por estar registrando o momento da história.

Na geração pós-guerra, durante os anos 1950 a 1970, havia uma lista de doenças virais que eram consideradas benignas e para as quais não havia vacina. Assim, quando um irmão “pegava” uma dessas doenças, os pais colocavam logo os outros filhos por perto para que todos passassem pelo ciclo e ficassem imunes de uma só vez. Isso porque, além de resolver o problema das crianças de forma rápida, passariam a ser imunes já que, para os adultos que não tivessem sido expostos, essas doenças poderiam ser muito graves. Há vários exemplos: catapora (varicela), caxumba, coqueluche, rubéola, sarampo. Tristemente, algumas crianças morriam dessas doenças, como está sendo o caso do sarampo, que ressurgiu recentemente.

Desde então, para várias dessas doenças foram desenvolvidas vacinas e na geração seguinte, as crianças foram assim “artificialmente” imunizadas (vacinadas) contra a maioria desses patógenos.

Passemos à COVID-19 que hoje nos aflige. Os relatos descrevem que é uma virose branda e sem maiores consequências em crianças e adultos jovens, mas que é potencialmente letal para idosos e/ou portadores de doenças outras, comuns em pessoas a partir de 60 anos. Bem parecido com a catapora e a caxumba.

Essa faixa etária, dos nascidos a partir de 1960 (acima dos 60 anos: idoso), mesmo sem ter quadro de diabetes, asma, câncer, tuberculose ou outras doenças pré-existentes, vêm sendo associadas a quadros graves decorrentes da contaminação com a COVID19 e estão todos classificados como de risco

Exemplificando, quase todos da minha geração tiveram catapora na infância, de modo que a geração idosa neste ano 2020, em sua maioria, é imune à catapora.  Mas NINGUÉM desta geração teve COVID-19 pois o vírus é novo! Então, a COVID-19 fará com a população total o que a catapora fez no passado, só que em cima de uma população idosa que não adquiriu a imunidade natural quando criança, o que faz prever uma taxa de mortes alta dentro da faixa etária acima de 60 anos.

A partir de uma devastação inicial, a COVID-19 será apenas mais uma virose, das muitas que andam por aí e, oxalá, haverá uma vacina para ela, como existe para varíola, sarampo, febre amarela, etc.

A consequência social predominante disso deve ser uma alteração do perfil de distribuição de idades na população de vários países. No mundo ocidental, no qual estamos inseridos, a pirâmide etária já vem se invertendo há algumas décadas, em decorrência da redução das taxas de natalidade e aumento da longevidade, com consequente aumento em números absolutos e proporcionais do número de idosos. Cada vez mais gente chega aos 100 anos!

Note-se que uma redução drástica da população acima de 60 anos desonera significativamente as despesas com aposentadorias e custosos cuidados médicos para doenças crônicas (diabetes, hemodiálise, transplantes, etc.). Não é crível que o Estado, qualquer que seja, não veja ou não pense nisso: equilibrar as contas diminuindo as despesas com os velhos! Mem os Governos e os que disputam o controle do Estado

Ninguém fala disso!  A COVID-19 vai fazer o “serviço sujo”, com uma parte da sociedade (alguns políticos? quais?) fingindo que se está fazendo alguma coisa para “sair bem na foto”. Lembremo-nos de que o Delfim Neto por volta de 1974 disse ao Pratini de Moraes: o Estado é um ente aético.  Ou será isto um ensaio para algo que ainda está por vir? Está o planeta superlotado?.

De qualquer forma, essa redução no número de idosos (e outros que se enquadram no perfil de risco) deve acontecer até o advento de uma vacina ou um remédio, pois seja a curva de Gauss mais ou menos simétrica, mais acentuada e curta ou mais achatada e longa, a integral sob ela será a mesma. Entenderam ou mataram as aulas de estatística e cálculo diferencial?

Conclusão, com quarentena, pessoas morrerão ao longo de um período maior e sem quarentena morrerão em tempo mais curto. Nesta segunda hipótese, morrendo em período menor, haverá congestionamento nos hospitais e cemitérios e se não houver hospital para todos, morrerão mais pessoas por esse motivo.

Por outro lado, outra gente morrerá se houver desorganização social (fome, confusões, saques, etc.). A questão que se impõe é o preço político e cada grupo tenta impingir a outro o ônus do que vai ocorrer e do quanto vai doer. Cada um quer ver o pandemônio no colo de outro grupo.

Miguel Fernández y Fernández,

Engenheiro Consultor, cronista

PS:  esclarecendo as expressões do modismo, base Petit Larousse 1961, traduzidas e adaptadas ou criadas pelo autor deste artigo:

Afastamento Social Horizontal: quando todos devem permanecer em casa, restringindo ao máximo o contato entre as pessoas e o contágio

Afastamento Social Vertical: quando só alguns grupos ficam isolados. Por exemplo, os de maior riscos de desenvolver um quadro mais grave. No caso da COVID-19 seriam os idosos, os diabéticos, os cardíacos, etc.; jovens e saudáveis poderiam, continuar circulando normalmente

Endemia, s.fem, do grego, endêmon nosêma: doença fixada e disseminada em determinada área ou região, que nem aumenta nem diminui no tempo e na proporção em que infesta seus habitantes e a região de forma contínua

Epidemia, s.fem, do grego epi, acima, dêmos: gente, povo)  aparecimentoo ou aumento rápido de uma doença que ataca ao mesmo tempo muitas pessoas em uma comunidade ou região. doença contagiosa que, em determinada área atinge grande numero de pessoas ao mesmo tempo como a gripe, a febre a cólera a febre tifoide. A epidemia difere da endemia porque a epidemia é um evento de certa forma ao acaso, enquanto a endemia é uma constante ou periodicamente previsível.

Ideologia, s.fem, do grego idéa (idéia) e logos (ciência): ciência das idéias, conjunto de idéias de um grupo e de uma época traduzindo uma situação histórica; pejorativo: doutrina que propõe ideais irrealizáveis; Ideólogo: pessoa ligada sistematicamente a uma doutrina filosófica ou social; sonhador que persegue um ideal irrealizável

Pandemia, s.fem; é a disseminação de uma epidemia (uma doença contagiosa) por regiões muito grandes como um continente ou o globo terrestre

Pandemônio, s.masc, do grego, pan: tudo todos e daimon: demônio; capital imaginária do inferno, lugar onde reinam todas as formas de corrupção e desordem; google: associação de pessoas para promover o mal e a desordem

Surto: s.masc, google: aumento significativo e rápido de alguma coisa, seguido ou não de um decaimento ou diminuição voltando à situação anterior ou próxima ao aumento da coisa. Uma doença endêmica pode ter surtos e tornar-se uma epidemia ou não. Um surto pode ser mais acentuado ou menos acentuado.

Numero de toques com espaços: 8.130

231 visualizações3 comentários

Posts recentes

Ver tudo