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Colegas colegas, negócios a parte

  • Foto do escritor: Miguel Fernández
    Miguel Fernández
  • 2 de mai. de 1995
  • 2 min de leitura

Atualizado: 14 de jan.


Creio que foi por volta de 1980. Agora não me lembro mais com certeza.

A Petrobrás lança uma concorrência para a instalação de correntógrafos na então recém-iniciada bacia de Campos.

Toda concorrência estabelece dia, hora e local para a entrega das propostas. Nesse caso era um dia de semana qualquer, às 14horas, no edifício Serrador, entrada pela rua Senador Dantas (onde hoje é a entrada do Hotel Windsor). Esse edifício tem uns 30 andares e cada andar muitas salas e a Petrobras o alugara fazia pouco tempo para atender à expansão de seus negócios. Havia um final de reforma em tudo e os elevadores ainda estavam funcionando de forma algo precária o que acarretava filas.

No dia aprazado, as empresas interessadas se dirigem todas para a sala de reuniões constante do edital e precisam entrar na sala antes da hora aprazada, sob pena de desclassificação (mesmo que a comissão de concorrência queira ser tolerante, sempre há concorrentes que impugnam os retardatários).

Mas, como todos sabem, proposta de serviços de engenharia que se preze, só fica pronta em cima da hora. Se ficar pronta antes alguém vai lá aperfeiçoar e, pronto, só fica pronta em cima da hora.

A IESA (Internacional de Engenharia) resolveu participar. A proposta ficou pronta tão em cima da hora que foi levada pelos dois engenheiros encarregados na motocicleta de um deles. Ao chegarem em frente ao edifício Serrador, para não perder tempo, o garupa desceu com os envelopes da proposta (envelope 1: documentação, envelope 2: proposta técnica, envelope 3: proposta de preços) e foi subindo para a sala, digamos 1214. O outro, o “motociclista” foi estacionar a moto. Quando o motociclista chegou no saguão do Ed. Serrador, entro na fila olhando para o relógio, faltavam 90 segundos para o horário e pensou: o colega já subiu e entrou na sala, ele também tem procuração da IESA, missão cumprida.

Nisso, chegam esbaforidos um grupo de engenheiros da PROMON (uma das concorrentes da IESA). Chega o elevador e entram todos no mesmo elevador. Nisso um dos da PROMON vira-se para os outros e pergunta: qual é o andar? ...... colegas, colegas, negócios à parte: o da IESA responde: também estou indo: sala 2114.

Até acharem o andar certo e a sala, descendo pelas escadas, o prazo vence, a PROMON não participou e até hoje, ficou a dúvida: o engenheiro “motociclista” se enganou mesmo ou fez de propósito? Acho que o pessoal da PROMON nunca acreditou na inocência do colega da IESA, mas fazer o quê? Como se diz hoje, “perdeu playboy”.

A IESA ganhou e fez o serviço. Mas como deve ter havido “urucubaca”, deu prejuízo. Perderam-se misteriosamente, uns 5 (cinco) correntógrafos nos primeiros meses, até aprender-se, na prática, como amarra-los e recupera-los (a diversas profundidades, até 1.200m). Cada correntógrafo valia cerca do valor de um carro médio novo), fora os custos de colocar, tirar, fazer relatórios, manutenção, etc.


Miguel Fernández y Fernández, engenheiro, cronista e articulista, membro da Academia Nacional de Engenharia e do Instituto de Engenharia # escrito em R2026janRa,  2.936 toques


 
 
 

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