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Lógica Profissional

  • Foto do escritor: Miguel Fernández
    Miguel Fernández
  • há 18 horas
  • 3 min de leitura

Era uma linda noite de sábado nos idos de 1964, em um mês de setembro em Maceió, e a família de seu Jorge e dona Marieta foi toda a uma “festa de debutantes” no famoso clube Fenix, onde a aristocracia local se reunia. A festa foi um sucesso.

As moças que faziam 15 anos naquele ano, os pais, os avós, primos, amigos, a família toda, os pretendentes, a fina flor da sociedade Alagoana presente. Comes-e-bebes fartos e de ótima qualidade. Música de primeira, por uma famosa banda-orquestra de Salvador. O “crooner” era o Orlandivo, do Rio de Janeiro.

As “festas de debutantes” serviam para os pais mostrarem suas filhas à sociedade e subentendia-se que, a partir dali, quando dançavam a valsa, cada uma com seu pai, passavam a ser candidatas a noivar e casar, conforme os costumes de então.

Ficaram até acabar a música, ou seja, chegaram tarde e foram todos dormir, um casal de avós, os(as) primos(as) do interior, as duas filhas, os dois filhos, pai, mãe e espíritos santos. Dormiram profundamente.

Acordaram no domingo, lá pelas 9h00, bem mais tarde do que de costume. Conforme ficara combinado com as empregadas da casa, o café da manhã seria servido às 09h30.  Então, às 09h30 estavam quase todos na sala de jantar para o “desayuno” em família quando se ouviu um grito de dona Marieta, vindo do quarto dos pais.

Todos acudiram a ver o que seria, e d. Marieta não parava de gritar: “Fomos Roubados, Fomos roubados!”

Nessa altura, a família começou a se dar conta do ocorrido, e passaram a se lamentar também: “levaram tudo!”

Com efeito, ao chegarem da festa, haviam tirado seus anéis, brincos, broches, cordões, pulseiras, relógios, carteiras com dinheiro, enfim, todos os ouros desapareceram, inclusive os 38 do seu Jorge e o do irmão do interior, que dormiam na mesinha de cabeceira do Jorge e no do quarto de hóspedes. Até as alianças dos casados se foram. Desastre completo!

Em 1964, pouquíssimos tinham ar condicionado, era ventilador de teto, e olhe lá!

Algum ladrão havia entrado pela janela e levado tudo. Muita ousadia, com todos em casa!

Seu Jorge foi à delegacia, registrou a ocorrência e vida que segue.

Passaram uns 45 dias e o delegado mandou chamar o seu Jorge, que foi acompanhado de um filho que estudava medicina, o Álvaro.

Chegando lá, o delegado mostrou a eles uns relógios e umas jóias, para eventual identificação, se alguns seriam os deles.  Bingo!  Entre o que lhes foi mostrado, reconheceram alguns.

Foi o suficiente para o delegado mandar trazer tudo que havia sido recuperado, os filhos do Jorge, a sogra e o sogro, o irmão do interior, cada um reconheceu seus pertences e recuperaram bastantes coisas.

Depois do roubo, a policia ficou de tocaia no receptador daquele tipo de mercadoria. Quando o ladrão achou que já havia passado muito tempo, foi lá. Os espiões perceberam algo, juntaram uma coisa com outra e pronto.

Quando já iam saindo da delegacia, seu Jorge pediu ao delegado, para ver o ladrão.

O delegado, que era amigo de infância do Jorge, mandou trazer o preso algemado na sua sala, com o Jorge e o filho Álvaro junto.

E o Jorge resolveu dar uma bronca no ladrão:

_ Voce me desrespeitou, entrou na minha casa comigo ali, me humilhou perante meus filhos, minha familia, porque não roubou quando eu não estivesse, seu desgraçado!

E o ladrão:

_ Seu doutor, sou ladrão mas não sou burro, fiz o que tinha que ser feito, no fim das festas, todos dormem profundamente e deixam tudo para guardar no cofre no dia seguinte. É só passar e recolher. O senhor desculpe aí, mas não quis ofender ninguém.


Causo real, ouvido da querida alagoana, amiga e colega, engenheira Vera Maria Costa Cansanção em 1987, no Rio de Janeiro.


Miguel Fernández y Fernández, engenheiro, cronista e articulista, membro da Academia Nacional de Engenharia e do Instituto de Engenharia # 1987 Rb, 3.530 toques
 
 
 

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