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Fumantes, bebentes, comentes e viventes (FBCV)

  • Foto do escritor: Miguel Fernández
    Miguel Fernández
  • há 1 dia
  • 5 min de leitura

Atualizado: há 11 horas

No Brasil, as hostilidades aos fumantes (de tabaco), aos bebentes e aos carnívoros, portanto às pessoas normais, apreciadoras da vida (doravante FBVC), se não me engano, começou por volta de 1980, quando esses modismos norteamericanos e as agendas woke, começaram a chegar por aqui, de forma mais pronunciada, com os nossos “macacos de imitação” copiando tudo que vem de fora, mas se dizendo defensores da soberania nacional.

Estímulo às academias de ginástica, comidas ditas saudáveis, campanhas anti-fumo, restaurantes vegetarianos, supertaxação aos boêmios, “leis-secas”, viraram pautas de mídia e de assunto, esvaziando bares e balcões e, coincidentemente, começando a aumentar o número de deprimidos e solitários.

Por volta de 2006, estava eu em um bar bem frequentado, lendo um livro, fumando meus cigarrinhos e bebendo meu uisquezinho, com um tira gosto, e passou uma rapaziada conhecida, “metida a intelectual”, que me perguntou se eu fazia academia (subentendido academia de ginástica), se caminhava, que eu devia me cuidar, etc. e tal. Respondi, maleducadamente, se eles também iam às tais “academias” perguntar se o pessoal tava lendo livros. Entenderam e foi um silêncio geral, mas os olhares intolerantes, daqueles donos da verdade, pouco habituados a ouvir discordâncias, por causa do tal do “politicamente correto”, ficaram hostis.

O “Politicamente Correto” é o nirvana da intolerância. Qualquer opinião, por mais idiota que seja, não deve ser contestada. Isso está levando à “dominância” das minorias e das idiotices. Dá um certo mêdo. Imagine uma religião ou um partido, que se digam puritanos, dando as cartas! Será que estamos a caminho? Meu DNA vai passar por isso com meus netos? Que futuro sombrio...

Os gregos, que já sabiam das coisas há 3mil anos, criaram o deus Baco não foi a tôa. E tenho aqui pra mim que Afrodite só saía com êle. O resto era muito chato pô! Vejam Esparta, onde só tinha espartano. Helena não aturou e fugiu com Páris para Tróia e lá ficou 10 anos, até contratarem um espertinho pensante (devia beber, fumar e ser gastrônomo) que fez o tal cavalo (seria o White Horse?).

Tabagismo e Uisque, não quer dizer que o cidadão é um criminoso. Parte da sociedade tem uma certa ansiedade sádica por armar um escândalo, ao invés de punir quem fizer besteira, não querem deixar uma pessoa dirigir porque “pode” causar um acidente. Nem fumar porque “pode” ficar doente. Foi-se o tempo em que roubar o “cofre do Adhemar”, era "fora da lei" mas dentro da ética, afinal, ladrão que rouba ladrão, tem 100 anos de perdão. O que aconteceu?

É aquela velha história: o que não se PODE fazer, não quer dizer que não se DEVA fazer. O que não se DEVE fazer, sim, seria definitivamente fora de cogitação, condenável. Mas o oportunista, o intolerante, o fanático, não consegue mudar de opinião, não aceita mudar de assunto e não se satisfaz em não fazer algo, quer que todos não façam igual, assim não corre o risco de estar errado. Quem é contra o porte de armas não se satisfaz em não ter armas, quer que ninguém tenha. No caso do aborto, ambas as partes não se satisfazem em que o estado permita e facilite: não aceitam quem pensa diferente, querem que seja um consenso. Privilégios para idosos, para pigmentação de pele, para isso e para aquilo. Quem paga? E a eutanásia? É Difícil!

Ressalvando que as leis são necessárias para as sociedades funcionarem, questionamos o que deve ser lei. A mesma cultura que confunde (maliciosamente) Estado com Governo, com Povo, com Nação, com País, com Território, com Costumes, faz com que, simplóriamente, se entenda que as leis são intrinsecamente corretas e verdadeiras. É a “fé” para a qual foram doutrinados/educados. É a crença em que, as leis, são para serem obedecidas cegamente, porque “vale o escrito”. Maquiavel já alertava: aos amigos, tudo, aos inimigos, a lei.

Não faz muito tempo, marcaram duas passeatas, uma em apoio à legalização da maconha e outra contra. Proibiram a primeira e liberaram a outra! Então imaginemos, em 1880, uma passeata contra e outra a favor da escravidão dos negros (era dentro da lei). A polícia (em nome do Governo mas se dizendo Estado) ia “baixar o pau” nos anti-escravagistas e/ou proibi-los de fazer a passeata. Serve para outras questões: o divórcio, os direitos da mulher, etc. que só foram conquistados porque alguns, não se conformaram, não aceitaram "a Lei" como verdade.

Através dos tempos, como por exemplo na lei seca nos EUA, ficou demonstrado que a melhor solução é deixar beber quem quiser, fumar quem quiser, homosexualizar-se quem quiser, tratar-se com medicina alternativa quem quiser, optar por adotar uma criança pobre ou um mascote (um pet) etc. Note bem: fumar quem quiser, homossexualizar-se quem quiser, e por aí adiante. Não pode ser obrigatório. Nem o jogo pode ser obrigatório mas não deve ser proibido. Porque a propaganda do tabaco está proibida e a das apostas (eufemismo para jogo) não?

As famílias, os grupos, com a infelicidade de ter um viciado por perto (seja no que for), querem que o Estado acorra em seu socorro e todos sejamos proibidos de fazer algo que não conseguem controlar. Ou por motivos religiosos (crenças ou ideologias) querem que todos achem a mesma coisa. Não podemos dar ao Estado esses deveres e / ou direitos. Não se quisermos manter a liberdade. E nem estamos aqui defendendo os alcoólotras, os fumantes incontrolados e os comedores compulsivos, que nem sabem apreciar o que fazem. Esses entram na categoria dos viciados.

Até 2011/2014, se um bar quisesse proibir o fumo em seu estabelecimento, as leis não permitiam porque era considerado local público e então todos tinham o direito de fumar. Era um êrro: “a Lei acima da razão”. Agora inverteu-se o êrro: se alguém quiser abrir um bar para fumantes, não pode. Ora, como ninguém é obrigado a ir a determinado bar, vai se quiser, o dono do bar devia ter o direito de resolver se o bar seria fumante ou não e cada um iria aonde lhe aprouvesse. Proibiram fumar até em locais abertos, basta serem “cobertos” e já se cria confusão desnecessária.

Ah, mas evitando o fumo e o álcool, alivia-se a carga de hospitais públicos com câncer de pulmão e alcoolismo. Então melhor por proibir motocicletas, que lotam as ortopedias e necrotérios diariamente. Ah, mas estamos salvando (na verdade prolongando) vidas! Evitar um suicídio é correto? Ou é contrariar a vontade de alguém? Cada um não pode dispor de sua vida como quiser? Se “o fumo mata lentamente”, para quem não está com pressa, pode ser uma boa alternativa.

Quais os possíveis próximos passos? Proibir industrializar o tabaco? As homeopatias? Os fitoterápicos? Proibir fumar, proibir isso ou aquilo, não custa nada, gera multas arrecadatórias e dá notícia.

Em tempo, Jeffrey Epstein (https://www.netflix.com/br/title/80224905*01) além de pedófilo, era chantagista e vigarista (como quase todo o mercado financeiro) e para parecer politicamente correto, era filantropo. Não fumava, não bebia álcool, não consumia drogas, seguia dietas rigorosas e era obcecado por saúde e higiene, chegando a ser germófobo (vivia desinfetando as mãos). Similar a Hitler, embora fosse de família judia. Ambos também eram amorais, aéticos, mas tudo “dentro da lei”. Ou seja, pessoas com fixação na saúde física podem ser tão ou mais perigosas que as viventes normais. Ou não. Certamente há fumantes e bebentes psicopatas. Não é tão simples.

Parodiando, “quem não gosta de bar, bom sujeito não é, é ruim da cabeça, ou doente do pé”


Miguel Fernández y Fernández, engenheiro, cronista e articulista, membro da Academia Nacional de Engenharia e do Instituto de Engenharia # escrito entre 2008-2026 R2026fev Ri , 7.614 toques
 
 
 

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