Vi-Vendo
- Miguel Fernández

- 13 de fev.
- 2 min de leitura
Atualizado: 19 de fev.
vi nascer, e vi crescer,
encolher e esticar
vi morrer, vi renascer
vi mentir, vi ter razão
vi versão, imaginar
vi sentir e vi fingir
vi teatros e vi versões
vi calar e vi falar,
vi andar e vi parar
vi olhar e escutar,
vi até o que não quis
vi coisas em que não cri
também cri
em coisas que não se crê,
vi o crível e o incrível
vi tolerar intolerante
e ficar decadente
vi fazer e desfazer
vi até o não fazer
vi descrentes e
vi crentes
vi teimosos conseguirem
vi até voltar atrás,
ilusões, desilusões
falsas satisfações
vi pedir ajuda,
vi recusar ajuda,
vi buscar sentido,
vi até encontrar
sentido onde havia
e onde não havia
vi mentir e vi fingir
vi juntar pra ter razão
querer razão por se juntar
vi perseguição,
vi perseguido perseguindo
vi se fingir perseguido
vi cinismo e vi razão,
torturado torturando
tudo em nome da nação
vi gente seguindo,
paixões mentais,
idéias e ideais
e mentiras geniais
vi gente sonhando,
vi gente plantando sonhos
nos outros
vi sonhos evaporando,
Vi carneiros e vi ovelhas
Vi rebanhos se formando,
Vi pastores ordenhando
Outros, só mamando.
Vi lobos se aproximando.
Vi cordeiros cordeirando
vi viver
de ilusão
vi fracassos
vi sucessos
só não vi voltar atrás,
os tolos e os muito puros
vi cair, vi levantar
adoecer e curar
quando achei que
vira de tudo,
vi que pouco vira
vi calar por vergonha
e até por mêdo
Vi calar por gentileza
vi calar por amizade,
calar por cumplicidade
vi calar e já calei,
vi fingir e já fingi
ou-vi falar: “revolução”!
modismo ou convicção?
revolta, sem opção?
sofismas sem solução!
vi construir pontes,
vi, por elas, ir e vir
vi demolir pontes
vi até caírem pontes,
vi o ocaso de manhã
vi manhã no anoitecer
vejo que vi e não vi
Vi-gente, dizendo
que sabia, o que fazia.
Mas não sabia.
Cordeirava.
Vivendo a tôa,
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