top of page
Buscar

ARREPENDIMENTOS (sem retorno)

  • Foto do escritor: Miguel Fernández
    Miguel Fernández
  • há 5 dias
  • 3 min de leitura

É um tema dificil. A maioria, como diria Nelson Rodrigues, é muito simples, muito limitada, raciocínio muito primário. Tende a ter comportamento de manada, imitar, se deixar levar pelas modas, pela fama.

Fazer algo que não se pode voltar atrás é decisão de uma vida, e as pessoas não conseguem enxergar isso.  Deu vontade faz. E depois? Como fica?

Ter um(a) filho(a), não é uma decisão que se possa voltar atrás. É preciso ter consciência. As mentes mais primárias não percebem. Só depois. Às vezes nem depois.

Escolher o nome para os filhos é outra escolha definitiva ou difícil de voltar atrás, mas muitos tomam essa decisão porque “deu vontade”, porque “achou bonitinho”, porque quis homenagear alguém, porque quis mostrar ou identificar, para sempre, que era de tal ou tal ascendência ou etnia ou religião, admiração por alguém, sem medir as consequências.

E se depois isso for um peso para o filho?  O nome pode vir a ser uma tatuagem na testa.  Claro que vai depender do ambiente futuro, da personalidade do garoto ou garota, mas não custa ajudar e dar um nome neutro, comum, internacional e, de preferência, que não esteja na moda, para o(a) coitado(a) não ter uma imensidão de xarás nem para se envergonhar.

Drogas, começar é fácil, difícil é sair. E o tempo perdido nelas é irrecuperável.  Ah, mas largo quando quiser, olha o fulano, usa mas não vicia. E se viciar? Às vezes é um segredo que serve para ter a pessoa sob cabresto. Acham que foram aceitos porque entraram para o clubinho. Mas é o cabresto, a dependência.

Suicidar-se ou matar alguém, também não tem como voltar atrás. Ofender em público, também pode não ser uma boa ideia, porque pode ser difícil voltar atrás, pode-se não conseguir reunir as mesmas pessoas para assistir às desculpas.

Tatuagens na epiderme, estão nessa lista de bobagens e de arrependimentos inconfessáveis.

Lembro que no entorno do ano de 1995, às 2as feiras à noite, a TV Cultura ou a TVE (não lembro bem, faz 30 anos!) retransmitia um programa da CBC do Canadá (Late Night? The Uncensored Show? The Best Commercials Never Show?), em que havia uma ótima comentarista (uma gorda, hoje uma “plus-size?) que não se preocupava em ser politicamente correta, eu diria até que ao contrário, gostava de expor as hipocrisias da sociedade. Nunca esqueço que determinado dia ela disse:

_ Se o governo resolvesse marcar as pessoas problemáticas para que não nos aproximássemos delas, o pessoal dos direitos humanos ia reclamar. Mas não é necessário, elas se tatuam sozinhas.

Ou seja, o problema nem é só brasileiro.

Os antropólogos deviam averiguar porque algumas nações, nas quais nos incluímos, resolveram importar essa mania de se tatuar?  Complexo de vira-latas? Querer copiar os outros? De preferência estrangeiros? Por achá-los melhores, por extravagância? Para parecer mau (má), atitude comum em certas idades mentais?

Até 1990, poucos brasileiros se tatuavam, praticamente era coisa de marinheiro e presidiário.

Costumamos dizer que “gosto não se discute”. Mas o bom gosto é uma coisa que passa pela cultura inteligente, pela sofisticação.  É inegável que nossa música involuiu. Ao copiar os “raps” estrangeiros, andamos para trás. A tatuagem, é uma coisa, no mínimo, de novo rico, de exibicionista, de quem está sem saber o que fazer e, que me perdoem, uma coisa “cafona”.

Por volta de 2012, circulando nos USA, viam-se nas estradas, muitos e enorme anúncios (outdoors) mais ou menos assim: “Sorry about your tatoo, AA dermo clinic” (lamentamos sua tatuagem, clinica dermatológica AA ). Uma cadeia de clinicas dermatológicas só para tentar tirar tatuagens. Evidentemente cheias de clientes escondidos.

Essas coisas citadas nesta crônica, certamente são motivos de arrependimentos. E como os arrependimento normalmente são ou inconfessáveis ou de difícil aceitação, se transformam em motivo de não abordar o tema por parecer preconceito, na verdade por comodidade. Para quê se aborrecer?  Mas se avisando já é difícil, se ninguém avisar pode ficar pior.

Ao adotarmos agendas estrangeiras, caímos nessas armadilhas. A esperança é que, como “não há bem que sempre dure” também não há “mal que não se acabe”.

  Miguel Fernández y Fernández, engenheiro, cronista e articulista, membro da Academia Nacional de Engenharia e do Instituto de Engenharia # escrito em dez2025,4.079 toques

 

 

 
 
 

Posts recentes

Ver tudo
Fumantes 04

Pajelanças, Tradições e Preconceitos Era março de 2006, no setor de maternidade da Casa de Saúde São José, no bairro do Humaitá, zona sul do Rio de Janeiro, acabava de nascer um neto. Um primeiro net

 
 
 
Malandros e Babacas

_ “Se os malandros soubessem das vantagens de ser honestos, seriam honestos por malandragem” A primeira vez que ouvi esse aforismo foi da boca do engenheiro A.J da Costa Nunes, creio que em 1986 ou 8

 
 
 
DEMAGOGIAS TECNICAS (filosofando sobre o saneamento)

Há 3 mil anos, quase sempre a defesa de um interesse é viabilizada, em termos políticos, induzindo a sociedade a acreditar que se trata de interesse da coletividade, por motivos econômicos, de soberan

 
 
 

Comentários


  • Instagram
  • Imagem1
  • Google Places - Círculo preto
  • Facebook Black Round

© 2025 Engº Miguel Fernández y Fernández

bottom of page