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TATUAGENS E ARREPENDIMENTOS

  • Foto do escritor: Miguel Fernández
    Miguel Fernández
  • 3 de fev.
  • 3 min de leitura

Atualizado: 26 de fev.

Fazer algo que não se pode voltar atrás é decisão de uma vida. Difícil enxergar isso. É preciso ter equilíbrio e bom senso todo o tempo. Difícil ter equilíbrio e bom senso todo o tempo. Deu vontade faz. Uma vez feito, e depois? Como fica?

Ter um(a) filho(a), não é uma decisão que se possa voltar atrás. É preciso ter consciência. Mentes primárias? Momentos infelizes? Só percebem o êrro depois. Às vezes nem depois. A autoestima não deixa?.

Escolher o nome para os filhos é outra escolha definitiva ou difícil de voltar atrás, mas muitos tomam essa decisão porque “teve uma inspiração”, porque “achou bonitinho”, porque quis homenagear alguém, porque quis mostrar ou identificar, para sempre, que era de tal ou tal ascendência ou etnia ou religião, por admiração por alguém, sem medir as consequências.

E se depois isso for um peso para o filho? O nome pode vir a ser uma tatuagem na testa. Claro que vai depender do ambiente futuro, da personalidade do garoto ou garota, mas não custa ajudar e dar um nome neutro, comum, internacional e, de preferência, que não esteja na moda, para o(a) coitado(a) não ter uma imensidão de xarás nem para se envergonhar.

Drogas, começar é fácil, difícil é sair. E o tempo perdido nelas é irrecuperável. _Ah, mas largo quando quiser, olha o fulano, usa mas não vicia. E se viciar? Às vezes é um segredo que serve para ter a pessoa sob cabresto. Acham que foram aceitos porque entraram para o clubinho. Mas esse cabresto é a escravidão.

Suicidar-se ou matar alguém, não tem como voltar atrás. Ofender em público, pode não ser uma boa idéia, porque pode ser difícil voltar atrás, pode-se não conseguir reunir as mesmas pessoas para assistir às desculpas.

Tatuagens na epiderme, estão nessa lista de bobagens e, certamente, de arrependimentos inconfessáveis.

No entorno do ano de 1995, às 2as feiras à noite, a TV Cultura ou a TVE (faz 30 anos difícil ter certeza!) retransmitia um programa da CBC do Canadá (Late Night? The Uncensored Show? The Best Commercials Never Show?), em que havia uma ótima comentarista (uma gorda, hoje uma “plus-size?) que não se preocupava em ser politicamente correta, até ao contrário, gostava de expor as hipocrisias da sociedade. Determinado dia ela disse:

_ Se o governo resolvesse marcar as pessoas problemáticas para que não nos aproximássemos delas, o pessoal dos direitos humanos ia reclamar. Mas não é necessário, elas se tatuam sozinhas.

Nem dá para concordar muito com a frase pois, nem todos tatuados são problemáticos, e é provável que nem todos os problemáticos se tatuem, mas foi o que ela disse. Foi irônico, mas deu para entender. Foi premonitório também, a identificação facial e pela íris cumprem, a mesma função de marcar o gado, mas nesse caso só os operadores do banco de dados sabem a quem buscar / perseguir.

Ou seja, a moda da tatuagem já era mundial. Os antropólogos deviam averiguar porque tanta gente resolveu adotar essa mania. Até 1980, poucos se tatuavam, praticamente era coisa de marinheiro, presidiário e soldado. O que leva as pessoas a isso? Efeito manada? Atração pelos diferentes? Parecer estrangeiro? Extravagância? Para parecer mau(má) e para parecer adulto(a), atitude comum em certas idades mentais?

Costuma-se dizer que “gosto não se discute”. Mas o bom-gosto é uma coisa que passa pela cultura inteligente, pela sofisticação. Mesmo nas mentes loucas, há o bom e o mau-gosto. É inegável que nossa música involuiu. Ao copiar os “raps” estrangeiros, andamos para trás. A tatuagem, é uma coisa, no mínimo, de novo rico, de exibicionista, de quem está sem saber o que fazer e, com todo o respeito, uma coisa “cafona”.

Nos USA e no Canadá (1912 / 1918), vimos muitos e enorme anúncios (outdoors), mais ou menos assim: “Sorry about your tatoo, AA dermo clinic” (lamentamos sua tatuagem, clinica dermatológica AA ). Uma cadeia de clínicas dermatológicas investindo para tentar tirar tatuagens. Evidentemente cheias de clientes escondidos.

Como os arrependimentos, normalmente, ou são inconfessáveis ou são de difícil aceitação, nota-se uma tendência em não abordar o tema por parecer preconceito ou crítica. Na verdade por comodidade. Para quê se aborrecer? Mas, se avisando já é difícil, se ninguém avisar pode ficar pior.

Ao adotar agendas estrangeiras, cai-se nessas armadilhas. A esperança é que, como “não há bem que sempre dure” também não há “mal que não se acabe”.

  Miguel Fernández y Fernández, engenheiro, cronista e articulista, membro da Academia Nacional de Engenharia e do Instituto de Engenharia # escrito em dez2025 R2026fevRd, 4.384 toques

 

 

 
 
 

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