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  • Miguel Fernández

Prefácio do Livro "Ancoragens Tubulações Junta Elástica", de Ibrahim Lasmar

Atualizado: 22 de Fev de 2019

As cidades são reféns do seu sistema de água. Se faltar qualquer dos sistemas de infra-estrutura urbana, instala-se o caos. Se faltar eletricidade, o primeiro efeito insuportável que se notará é a falta de água: Não haverá solução. Se faltar água, mesmo com eletricidade, será insuportável viver em zonas urbanas.

Existirão no Brasil (2012) mais de 10.000 sistemas de abastecimento de água. Esse número não para de aumentar.

Em cada um deles vai-se buscar água cada vez mais longe, resultando em tubulações mais longas, com pressões maiores.

As cidades também crescem em tamanho e as redes de distribuição de água aumentam em todos os sentidos.

Os esgotos precisam ser bombeados até um destino final adequado, enfim, as tubulações sob pressão são cada vez mais importantes na medida em que a população aumenta e se urbaniza.

A praticidade e a rapidez na implantação, na manutenção e no reparo, a intercambiabilidade, a diminuição de itens de estoque, enfim uma série de itens parece ter privilegiado a opção por tubos com “junta elástica”, pois todos esses aspectos resultam em confiabilidade (continuidade de abastecimento com minimização de interrupções) e economias.

A necessidade de redução dos custos, os novos materiais, o aprimoramento dos materiais antigos, conduzem a diâmetros cada vez menores, muitas vezes não adotados por insegurança técnica do projetista, do instalador e do operador, que, pelos mais diversos argumentos, terminam por superdimensionar os sistemas, trabalhando com pressões menores, sem apresentar analises de custos convincentes.

Mas essas tubulações devem ser implantadas de forma econômica e confiável.

As Falhas (ou deficiências) de ancoragem nas tubulações são frequentemente confundidas com outras causas, pois muitos dos locais custam a colapsar porque, por sorte, custam a se superpor esforços e situações que, muitas vezes, só ocorrerão com mais frequência após alguns anos, iludindo os espíritos mais simples.

É ao pessoal que vai trabalhar com essas unidade dos sistemas de abastecimento de água (e eventualmente outros usos de tubulações junta elástica) que se destina este livro, preenchendo lacuna da literatura técnica especializada pois, o que aqui aborda o Eng° Ibrahim, só aparece em outros livros de forma resumida e superficial, com vazio importante para a prática da engenharia no setor, em especial quando se usam tubulações com juntas elástica, pois são as que requerem maiores cuidados nas “ancoragens”.

Este trabalho, embora especializado, através de uma abordagem técnica bastante simples, organiza o assunto e apresenta explicações, métodos e padrões necessários aos projetos (cálculos, arranjos, desenho, detalhes, etc.), à construção e à conservação das unidades compostas por tubos. É uma síntese didática e uma memória técnica de anos de trabalho e experiência, que ficam aqui registrados para uso atual e para que não se perca esse aprendizado e esse acervo para as gerações futuras.

O autor, o Engenheiro Ibrahim Lasmar é figura única, quer como técnico quer como pessoa.

Ainda me lembro quando o conheci, nos idos de 1980, em uma apresentação no exterior DNOS sobre a implantação do denominado “Projeto Rio” na orla oeste da Baía de Guanabara e ele falou sobre a drenagem nas bacias a montante desse aterro nessa orla.

Logo notei que estava diante de uma pessoa extraordinária, um “tipo inesquecível”.

Como técnico, reúne teoria, experiência (formou-se em 1951 pela atual EE-UFRJ e desde então pratica engenharia de fato) e bom senso, resultando em sabedoria que transborda para os colegas. Também não há assunto que Ibrahim nãos e interessa e tenha ideias criativas e úteis para dar. É um “dom” que ele tem: o de “engenheirar” todo o tempo.

Como pessoa, reúne conceitos que todos desejamos ter: é admirado pelo que dele se acercam, todos gostam e querem trabalhar com ele, todos se referem a ele com um “que” de admiração. Evidentemente que tal conceito provém de suas qualidades: discreto, leal, afável, confiável, amigo, afetuoso, fora a folclórica elegância.

Mas é esse mesmo Ibrahim em quem noto uma vaidade técnica que o motiva acima da remuneração e do dinheiro, e que o faz buscar uma solução melhor para cada assunto e que o faz mostrar e ensinar humildemente o que sabe. É a vaidade boa, a que constrói e que deve ser estimulada por todos nós como sempre fez o Ibrahim. A vaidade que o engenheiro sente ao ver uma obra pronta e funcionando e saber que aquilo está lá em grande parte por seu labor e sua arte. Alguns chamam aos que assim se comportam de “vibrador”. Pois, todos nós que convivemos e aprendemos como o Ibrahim nos contagiamos um pouco com essa maneira de ser e para nós é mais importante fazer o certo, mostrar o que sabemos, pois é disso que nos alimentamos, é com isso que vibramos.

Acho que foi isso que o fez escrever este livro: sabedor de que sabia mais sobre esse assunto que a maioria dos colegas, não quis deixar passar a oportunidade de transmitir esse cabedal e dedicou-se a colocar no papel o resumo de seus estudos, de suas experiências, de suas elucubrações.

Quem quer que precise se aprofundar neste tema, encontrará respostas ou caminhos neste livro, sempre em abordagem simples e clara a que nos referíamos.

É um livro de profissional para profissional. De pai para filhos.

Obrigada Ibrahim, por todos nós que vamos usar este livro com grande proveito.


Miguel Fernández y Fernández, 2003.


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