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Sobrevivência

  • Foto do escritor: Miguel Fernández
    Miguel Fernández
  • 12 de dez. de 2024
  • 2 min de leitura

Atualizado: há 1 dia

Era 1966 e Carlos, meu colega do ginásio, passara no vestibular de engenharia em sua primeira opção. Precisando trabalhar para ganhar seu dinheirinho, ainda em 1966 fez um concurso para ser funcionário público em importante órgão da união, recém criado, no setor financeiro, e passou. “Órgão” novo e rico, tudo estava sendo comprado, construído, instalado, contratado. O pessoal inicial era todo emprestado / transferido por outro órgão.

Como estudante de engenharia, buscou ser “alocado” na “Divisão” mais afim, encarregada dessas coisas de compras, construções, reformas, papéis, equipamentos etc. A “Divisão de Patrimônio”.

Todos eram escriturários e, conforme o tempo de serviço, Letra A, Letra B e assim por diante e um crescimento vegetativo do salário. Em paralelo, ocupavam cargos, ditos “em comissão”. Quando alguém entrava em férias, ou vagava um cargo, havia uma reação em cadeia e todos acabavam recebendo mais por ocuparem postos acima na hierarquia. Como o órgão era novo, às vezes mais de um posto acima.

Creio que foi em fins de 67 ou início de 68, ao substituir um superior no setor de compras, atendeu um fornecedor e, no entusiasmo juvenil em ocupar uma “chefia”, inadvertidamente, disse que estava substituindo “para todos os efeitos”.

O emissário do fornecedor, aparentemente também um “principiante”, acabou entregando uns valores.  Quando ambos se deram conta, haviam cruzado uma linha perigosa.

Com isso, Carlos foi promovido a um cargo hierárquico bem superior, mas transferido para o almoxarifado. Passou a ter estacionamento (o almoxarifado era fora do centro) e até tempo para estudar, pois dava conta do serviço em ¼ do tempo disponível.   Acabou sendo muito bom para êle e ajudou para algumas decisões de vida.

Por essas e outras, e porque queria mesmo era ser “engenheiro”, decidiu pedir “licença-sem-vencimentos” para ser estagiário em uma grande firma de engenharia.  Na segunda vez, embora constrangido pela mãe, pediu demissão.

Me constou que sua mãe, que chegou a chorar, lhe disse:


_ não faça isso, você não sabe como é difícil ganhar a vida, sobreviver. Aí você está seguro para sempre, é funcionário público e bem remunerado.


Optou por não dar ouvidos à mãe e encarou o mundo.

Optou pela vida e pela produção, não pela espera da aposentadoria. Aparentemente o lá de cima apiedou-se dele e deu tudo certo. Nosso amigo foi uma pessoa de sorte na profissão e na vida. Sobreviveu e viveu com louvor. Sorte ajudada pelo trabalho e pelo anjo-da-guarda. Como não decepcionou o anjo, o anjo não o abandonou.


Remember: Vernon, Paul, Ramiro, Norton, Prochet, Benoliel, etc.
Miguel Fernández y Fernández, engenheiro, cronista e articulista, membro da Academia Nacional de Engenharia e do Instituto de Engenharia # 1967 BC Rb,  2.325 toques

 
 
 

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