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Então fica pô

  • Foto do escritor: Miguel Fernández
    Miguel Fernández
  • 1 de nov. de 2019
  • 2 min de leitura

Atualizado: 9 de jan.

A MONTREAL Engenharia, era uma empresa 100% brasileira, e o nome uma sigla: Montagem e Representação Industrial. Era uma das maiores empresas de engenharia do Brasil, e certamente do mundo, com mais de 15.000 empregados, chegando a 25.000 por volta de 1978 na época da construção do vão central da Ponte Rio-Niterói. Os os escritórios ocupavam diversos andares à Rua São José 90 no Rio, em São Paulo na Rua Avanhandava (nº 55?), em Belo Horizonte, em Porto Alegre, Salvador, Recife, enfim. Foi responsável por grande número de obras industriais no Brasil (refinarias, fábricas de cimento, siderúrgicas, e uma miscelânea de outras). Uma verdadeira Escola de Engenharia.

Em 1969 eu era estagiário da divisão de engenharia civil, trabalhando com os engenheiros Geraldo Torres, Cristiano G Henning, Márcio Fraga, o arquiteto Gilberto Ribeiro, a secretária Cyrlei e outros. Como me trataram bem e me ensinaram a fazer e a gostar de fazer engenharia!

Hora do almoço, elevador cheio, incluindo o competente engenheiro Paulo Carvalho, então chefe do Departamento de Orçamentos da Montreal inteira. Alegre, expansivo, vozeirão, o eng Paulo era mais conhecido por Paulo Palavrão porque, dizia a lenda, no registro do nome dele faltou uma letra e por isso ele não conseguia articular uma frase sem algumas inserções fora do dicionário. Um figuraço adorável.

Nisso, o elevador para em um andar e entra um outro engenheiro que eu não conhecia. Digamos que fôsse Jorge. O diálogo que se seguiu, iniciando pelo Paulo foi inesquecível:

_ Ô Jorge, ouvi dizer que você pediu demissão hoje, é verdade?

_ É. Vou-me embora. Aqui tem muito FDP (filho da puta).

_ E tu vai pra onde pô?

_ Vou pra Metropolitana.

_ Sé é só por causa disso é melhor tu ficar, “pôrra”!

_ Porque?!

_ Porque aqui tu já conhece os FDP, pô!

_ E daí?

_ Lá tu ainda vai ter que descobrir.

Gargalhada geral no elevador e o então estagiáriozinho que lhes fala, perplexo, vendo e aprendendo como funcionava, como pensava, como agia e como falava a engenharia que não se aprende na escola...

Registre-se que o colega foi embora mesmo. Mas eu acho que o Paulo tinha razão. Em todos os lugares, há de tudo e de todos.

Nota: a interjeição “pôrra” (e sua variante sintética “pô”) era e é usada, em profusão, no linguajar engenheirês tanto como virgula, como espaço ou como ponto final.

Miguel Fernández y Fernández, engenheiro, cronista e articulista, membro da Academia Nacional de Engenharia e do Instituto de Engenharia # escrito em 2016nov02 R2026janRc,  2.318 toques

 
 
 

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1 comentário


vera moraes e silva
vera moraes e silva
25 de mar. de 2023

Miguel, muitas saudades dessa época, que foi qdo adentrei o grupo Montreal.

Você abriu um compartimento muito importante de minha vida de 50 anos trabalhando em empresas de engenharia . Adorei trabalhar no meio daqueles engenheiros que algumas vezes eram donos da verdade , mas sempre tinham um alto nível profissional. Ninguém estava ali por acaso.

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Na bagagem da Procon Inc , também foi enviada do escritorio de Sao Paulo, a Vera Moraes, que com o passar dos anos (12 anos no Grupo Montreal) ficou conhec…


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