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Maioria Matemática

  • Foto do escritor: Miguel Fernández
    Miguel Fernández
  • 2 de mar.
  • 3 min de leitura

A empresa operava um sistema de abastecimento de água potável de porte razoável.

Talvez por redução de custos simplista (salários mais baixos), havia pouco tempo, trocara o diretor técnico, saindo o engº Pessôa e entrando o engª Calis.

Após uns seis meses no cargo, e tendo implementado algumas novidades, o engº Calis mandou chamar o consultor técnico da empresa, o eng. Fernando, para uma reunião e para mostrar as melhorias que havia feito no sistema e, com isso, fazer uma ata de reunião respaldando os investimentos nessas alterações perante o resto da diretoria.

Na data agendada, o engº Fernando deslocou-se até aquela cidade. A reunião começou lá pelas 09h30, o engº Calis na cabeceira da mesa, fazendo a apresentação da sua equipe de uns seis a oito engenheiros, aparentemente todos novos na operadora. Não ficou claro qual a experiência de cada um, no ramo. Um deles, o Kaká, o Fernando já conhecia de vista, mas trabalhando em outra operadora. Soube, então, que o Kaká estava ali em seu primeiro dia de trabalho na empresa e naquele sistema.

O tema principal eram as bombas do sistema de distribuição da água potável na região. Calis começou explicando que, como o insumo energia elétrica era uma das principais despesas da operação, havia implantado “inversores de frequência” no acionamento dos motores das bombas, para que as bombas pudessem operar em velocidade variável. Com isso se economizaria energia, conforme aconselhara o fornecedor dos sistemas de variação de velocidade mas, aparentemente, ainda não estava repercutindo nas contas de energia elétrica, que continuavam altas, talvez porque o preço da energia houvesse subido”.

Quando foi possível entender o que havia sido feito, Fernando perguntou em que, o Calis e sua equipe, se basearam para achar que se ia economizar energia com a variação de velocidade nas bombas, sabendo-se que as bombas eram todas centrifugas de rotor fechado, pás fixas, carcaças fixas e quase todas  as casas de bombas com 3+1 bombas, ou seja já podendo operar com vazões intermediárias.

Então, lhe apresentaram a proposta do fornecedor, onde esse cálculo era feito de maneira genérica e não se aplicava aos casos daquele sistema.

Com todo o cuidado, para não melindrar o colega e cliente, Fernando começou a discordar do Calis, mostrando que, se o “trabalho” (massa x deslocamento = J) era o mesmo, o consumo de energia seria o mesmo, a menos de atritos e eficiências, que ainda poderiam piorar ou ter efeitos não consideráveis a ponto de fazer aquele investimento.

Criou-se um impasse. Ninguém contra-argumentava e, havia no ar, uma sensação de que os oito profissionais da equipe da operadora não estava entendendo os princípios da física e da engenharia invocados pelo consultor. E o Fernando “pisando em ovos” para não aborrecer o Calis e sua equipe mas, ao mesmo tempo, precisando cumprir sua função de técnico especialista e defender o acionista que, em última análise, pagava seus honorários.

Após longo silêncio, o Calis, viu-se obrigado a dizer algo, e falou:

_ como estou vendo que não chegamos a um consenso, vamos colocar em votação: os que entendem que esses variadores de velocidade vao economizar energia, ficam como estão e os que entendem que não adianta esse esforço, levantem o braço.

Estava criada a democracia matemática, o algorítimo que faltava!

O Fernando ainda não acreditava no que tinha acabado de ouvir e ainda não sabia como reagir para não se aborrecer. Nisso, o novato da equipe, mas já com certa experiência e certamente o único que entendeu o que se falava, o engº Kaká, sàbiamente, e para alívio geral, levantou-se e disse:

_ intervalo para o café!

Era set2008, foram todos almoçar juntos, continuaram amigos e nunca mais se voltou ao assunto.

Em dois anos o Kaká já era diretor da empresa. Os outros? Ninguém sabe.


Miguel Fernández y Fernández, engenheiro, cronista e articulista, membro da Academia Nacional de Engenharia e do Instituto de Engenharia # escrito entre 2010 e 2026, R2026fev Rb , 3.810 toques

 
 
 

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