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O Castigo A Forja, 1965ago

  • Foto do escritor: Miguel Fernández
    Miguel Fernández
  • 11 de fev. de 2021
  • 3 min de leitura

Atualizado: 15 de jan.

Os meninos eram bons meninos. Estavam batendo uns papos muito legais numa das pracinhas do bairro.

Tinha também uns chapas de outra turminha. Tinham-se unido por questoes de objetivos comuns: não

tinham objetivos.

De repente o tédio se apossou de todos. Tava muito chata a programação.

Um deles lembrou de uma festa num colégio, e sugeriu irem para lá, a bagunçar o coreto do pessoal. Após algumas discussões, deram a última puxada na erva, jogaram fora as guimbas, entraram nos seus fuscas e saíram tocando uns 120, pra ver se matavam alguém pelo caminho, e chegaram ao tal do colégio, onde a turma do carro que chegou primeiro gozou a do que chegou em segundo, e esses se desculparam, dizendo que foi por causa de um coroa que estava passeando na frente deles, mas também levou uma fechada daquelas. Ai um deles observou que o mundo estava perdido porque era todo mundo era mole que nem o coroa, ninguém era como eles.

ELES é que fariam o futuro do Brasil. Ai um sargento que fazia parte do grupo chiou, e mandou o outro não falar o nome do país dele com cigarro de maconha na mão, o outro não gostou e já iam saindo no pau, quando os outros chamaram para entrar no colégio.

Entraram e foram logo gritando "onde estavam a mulheres". A primeira que passou um deles, de azul, puxou o cabelo dela, e disse alguma gracinha pouco graciosa, porque a menina virou-lhe a mão, e foi se queixar ao pessoal do colégio.

Ai o pessoal do colégio se reuniu, e uns 5 ou 6 mais valentes foram interpelar os rapazinhos, os outros ficaram olhando de longe, para no dia seguinte poderem contar tudo direitinho, como se tivessem agido, e fazer o seu cartaz junto ao eleitorado feminino.

Era o que a turminha queria, o chefão pegou urna garrafa, partiu a garrafa e ficou com o gargalo na mão e disse:

- Se acabar o vidro tem aqui a máquina, mostrou o Colt 45 do pai, que é general, e um pai muito compreensivo.

Estas a ver que o pessoal do colégio tratou de usar a boca para convencer o outro a largar a garrafa e os Poutros se acalmarem, apesar de que cada uma repetia constantemente, com uma obsessão:

- Hoje eu brigo. Hoje eu quebro.

Mas quando estava nisso rolou o pau entre um da turminha deles e outro de uma outra turminha, segura daqui, empurra dali, leva sobra lá, chega a polícia. Aí o Chefão se queimou e disse:

- Pessoal, chegou a polícia, agora é pra valer.

E foi sacando da arma. Acontece que o polícia também tinha arma, e tinha cacetete, e foi baixando o dito cujo, e jogou o pessoal nos seus fuscas, mandou-os embora, mandou a outra turma embora também, que não adiantava prender ninguém, os pais viriam logo soltá-los, e a polícia se malocou por ali, para ver se alguém voltava, Dali a pouco voltam os meninos, então a policia que também não e besta de ficar se arriscando a toa, deu dois tiros para o ar. Ai foi aquela água; ninguém sabia donde saíram os tiros; cada um só sabia que não tinha sido êle, e entao quem estava armado atirou, a policia ouvindo tiros que não eram os dela, atirou de novo, o vigia atirou, quem não tinha arma atirou palavrões, e foi por ai. De repente uma bala atingiu a carro dos meninos, ai eles se mandaram, felizes, pois já tinham cumprido o seu objetivo, e levavam o seu troféu.

Chato foi a decisão do pai do rapaz que levou o carro, que no dia seguinte ao ver o carro com dois vidros quebrados, e o capo perfurado por uma bala, proibiu o Paulinho de usar o carro por uma semana.


Contexto:

publicado em ago1955 no jornal A Forja, do Grémio do Colégio de Aplicação da Faculdade Nacional de Filosofia da UFRJ (antiga Universidade do Brasil), também conhecido como "CAp, ou o Aplicação da Lagoa", no Rio de Janeiro, quando o autor terminava o então 3º cientifico (último ano do Colegial). Inspirado em fatos reais havidos em uma festinha havida em um sábado à noite no colégio, beneficente do Grémio com confusão na porta provocada pelos "turminhas" de bairros ou regiões da cidade, coisa então comum pelo mundo. Também registra uma época em que os militares ocupavam muitos cargos públicos, e se sentiam donos da nação. O governador do então Estado da Guanabara (hoje município do Rio) era Carlos Lacerda e presidente da república o Marechal Castelo Branco.


Miguel Fernández y Fernández, engenheiro, cronista e articulista, membro da Academia Nacional de Engenharia e do Instituto de Engenharia # escrito em ago1965,  3.484 toques
 
 
 

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