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O Clube de Engenharia no RJ

  • Foto do escritor: Miguel Fernández
    Miguel Fernández
  • 23 de jan. de 2023
  • 3 min de leitura

Atualizado: 15 de jan.

Carta Aberta aos associados do Clube de Engenharia, e aos Engenheiros em geral.


É sabido que o Clube de Engenharia, os engenheiros e as firmas de engenharia aqui estabelecidos, já tiveram épocas áureas no Brasil e no exterior, tanto tecnicamente quanto politicamente, o que muito honra nossa profissão e nossas atividades.

Em muitos momentos o Clube se envolveu em assuntos que transcendiam a engenharia, mas sempre na defesa dos interesses da engenharia brasileira, da brasilidade e do mercado de trabalho. Nisso o Clube foi corajoso, foi grande e foi vitorioso.

Entretanto, na esteira do sucesso, tanto o Clube quanto nós engenheiros, pelo menos nos últimos 30 anos, nos descuidamos dos objetivos maiores, nos deixando envolver em discussões político-partidárias-ideológicas, sindicais e até em temas da alçada de associação de bairros, as reuniões do Conselho às vezes lembrando “reunião de condomínio doméstico”.

Não que essas atividades não sejam importantes exercícios de cidadania mas, ao nos dedicarmos a elas no âmbito do Clube de Engenharia, deixamos de nos dedicar aos nossos interesses como profissionais e de como melhor podemos ajudar nossa nação: fazendo a boa engenharia, sem nos apequenarmos.

Ao mesmo tempo, ao privilegiar esses assuntos outros, acirrando divergências extra-profissionais o Clube se esvaziou, permitindo que a categoria se dispersasse.

Hoje, pode-se dizer que o Clube está decadente. Causa ou efeito? Tanto faz. Está decadente. Não soube trabalhar o interesse corporativo da engenharia que se diz representar nem se faz ouvir nas macro-questões acadêmicas da formação de engenheiros, patinando nas questões meramente burocráticas.

Em recentes épocas de tiroteio envolvendo diversas empresas de engenharia, públicas e privadas, comandadas por engenheiros, nem bem atacou nem bem defendeu, como se os assuntos não lhe dissessem respeito, com uma ou outra exceção por ações pontuais de colegas, medrosamente amparadas pelo Clube.

Como fazer para reverter isso?

Certamente não será fazendo o mesmo do mesmo.

Se na década de 1970 tínhamos questões claras que nos uniam, hoje tentam fazer cavalos de batalha onde não existem essas questões, apenas como instrumento e estratégias políticas na busca do poder a qualquer custo.

Os que me conhecem sabem que, desde 1966, ano em que entrei para a EEUFRJ tenho participado da política profissional por acreditar que é nossa obrigação, mas nunca me apresentei a disputar cargos.

Formei em engenharia pela UFRJ em 1970 e desde então sou sócio do Clube. São 54 anos. Fui candidato ao conselho do Clube nas 3 últimas eleições, sempre por honrosos convites de colegas mais atuantes, nunca por minha iniciativa. Não fui eleito na primeira vez nem na última, portanto estou deixando o Conselho.

Agradeço os 89 votos recebidos dos 256 que votaram. O mais votado teve 143 votos, fiquei em 26º lugar e, portanto, não fui reeleito para as 25 vagas desse terço de 75. Registre-se que foi uma eleição com inacreditáveis problemas na gestão das urnas eletrônicas, com o cancelamento da eleição do dia 25ago depois de iniciada e refeita no dia 31ago.

Também peço desculpas pelo período em que fui conselheiro pois acho que fui um mau conselheiro na medida em que pouco me aborreci em combater os assuntos insossos que dominam a pauta dessas reuniões, optando pelo politicamente correto ou pela lei do menor esforço, “me acomodei”.

Enfatizo que, a permanecer o “clube de engenharia” nesse enfoque de grêmio estudantil, nas mãos de uma maioria de colegas “formados em engenharia” mas não engenheiros, os que colocam a mão na massa não participarão. Muitos por falta de tempo, muitos por falta de motivo. Todos por não ver no Clube interesse por sua profissão enquanto engenheiros da ativa, com seus problemas reais de mercado.

Finalizo elogiando o trabalho de facilitação de palestras que, não fosse o clube não teriam onde acontecer. Parabéns às DTEs (Divisões Técnicas).



Miguel Fernández y Fernández, engenheiro, cronista e articulista, membro da Academia Nacional de Engenharia e do Instituto de Engenharia # escrito em set2022 R2026janRb, 3.468 toques

 
 
 

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1 comentário


icoplan
03 de ago. de 2024

Meu caro Miguel,


Em primeiro lugar, parabéns pela iniciativa de criar um site para divulgar o muito que você já fez pela nossa Engenharia e, em particular, na área de saneamento. Aliás, foi justamente por reconhecer sua impecável atuação profissional que o convidei para integrar a nossa chapa de conselheiros nas eleições de 2018, quando me reelegi presidente do Clube de Engenharia.


Lembro-me de que, àquela ocasião, você manifestou espanto, dizendo “mas eu sou de direita”, ao que redargui que não o estava convidando por questões ideológicas, e sim pelo seu valor como profissional.


Sirvo-me dessa lembrança para, entristecido, rebater colocações equivocadas constantes da sua Carta aberta aos associados do Clube de Engenharia e aos engenheiros em geral, em especial…


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