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  • Foto do escritorMiguel Fernández

Palavrões

Em 1970, no bloco D da EEUFRJ, no fundão, o engenheiro Eduardo Pacheco Jordão, lecionava a cadeira de saneamento-esgotos, o que fez até recentemente (2019). Tornou-se famoso e renomado profissional como professor e como engenheiro, pela competência, pelo extenso currículo produtivo, por ser autor de um livro sobre “Tratamento de Esgotos Domésticos” que se tornou “bíblia” do assunto e pela dedicação. Também foi professor de meu filho cerca de 35 anos depois, na mesma sala de aula e de toda uma geração de engenheiros “sanitaristas”, que lhe são muito gratos pela maneira sempre carinhosa com que nos tratou e trata, pelos conselhos e pelos exemplos.


Jordão destacava-se também por nunca ninguém tê-lo ouvido falar palavras de “baixo calão”.


Considerando o linguajar normalmente chulo dos engenheiros e dos estudantes, isso chamava muita atenção e, como convinha, aumentava o renome do então jovem professor. Diria até que o Jordão sabia da repercussão e se esmerava em cultivar o assunto.


Tudo ia muito bem até que, um dia, um colega mais observador fez um "dicionário do Jordão" com cerca de uma dúzia de palavras e sua tradução, da qual me lembro de algumas, perdoem a parte chula:

Bagunça = merda (esse seu trabalho está uma bagunça....)

Nunca = Nem fudendo (adiar a prova? Nunca! )

Caramba = puta-que-pariu (foi mesmo? Caramba!)

Bobagem = babaquice (.. bobagem do Theóphilo adiar a prova...)

Lamento = não enche o saco (a um aluno que insistia em uma revisão de prova: Lamento.)


E por aí ia


Mas o “sinônimo” mais marcante, mais inesquecível e mais usado era:

"Paciência" = "foda-se".


Por exemplo, o aluno chegava e dizia:


_ professor, “esse trabalho sobre AAA tá tomando muito tempo e não serve pra nada...”


Aí o Jordão respondia elegantemente:


_ eu te falei para fazer um trabalho sobre BBB... Agora, paciência...


E o aluno ia embora se sentindo amparado, quase elogiado, por aquele professor turpilocuense.


Miguel Fernández y Fernández,

engenheiro consultor e cronista, 2020jul R 2023mar

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Glória Mota
Glória Mota
٢٩ مارس ٢٠٢٣

ADOREI A HISTÓRIA DO JORDÃO (COMO PAPAI O CHAMAVA).

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