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Explicações políticas 1

  • Foto do escritor: Miguel Fernández
    Miguel Fernández
  • 1 de jul. de 2016
  • 2 min de leitura

Atualizado: 15 de jan.

Revista ABES Bio

Trabalhei com o Engº Enaldo Cravo Peixoto durante parte do ano de 1971 e essa me foi contada por diversos personagens que participaram da "entrevista": Fernando Botafogo, Adilson Seroa da Motta, Constantino Arruda, Volpi, ...

O Enaldo Cravo Peixoto, alagoano de nascimento, engenheiro da Prefeitura do então Distrito Federal, alçado a Secretário de Obras pelo Carlos Lacerda quando efeito governador do então Estado da Guanabara, nos idos de 1961-62 era um figuraço. Baixinho, feio e muito simpático, falante, em 1969 era presidente de um escritório de projetos de Engineering Science Inc. (irmãos Ludwig) fez o projeto do interceptor oceânico de esgotos da cidade do Rio de Janeiro, aí incluído o famoso emissário submarino de Ipanema. Eminentes profissionais brasileiros e americanos participaram.

Quando o projeto ficou pronto, foi apresentado ao público via imprensa e começou grande discussão sobre se "o cocô voltaria ou não para a praia" (discussão bizantina pois o cocô estava na praia). Mas a discussão durou meses.

Finalmente (1969?) marcou-se uma coletiva de imprensa (naquela época não havia o nome "audiência pública" nem PowerPoint). Os especialistas prepararam uma palestra com farto material audiovisual (hoje em museus: slides, retroprojetores, cartazes, quadros-negros, etc). A apresentação deveria ficar em linguagem ao alcance dos leigos. Assim foi feito.

Terminada a apresentação, passou-se à fase de perguntas. Por mais que se explicasse tudo que havia sido estudado, as correntes predominantes, o decaimento bacteriano, a diluição, os cartões à deriva, enfim, voltava-se sempre ao tipo de pergunta: o que garante que "o cocô não volte à praia".

Depois de mais de uma hora, um repórter refez a mesma pergunta e os técnicos preparavam-se para responder mais uma vez quando o Eng. Enaldo, até então calado resolveu que ele ia explicar. Pânico geral nos técnicos! O Eng Enaldo era o dono da firma mas não sabia quase nada daquilo.

A fala do Enaldo ao repórter:

-Prezado jornalista, anote aí o que eu vou dizer (espera um pouco criando suspense), iniciando jornalistas escreviam: "o que garante que o cocô não vai voltar é a teoria da impedância relativa das águas profundas...."

Perplexidade geral.....

Após prolongado silêncio, o moderador aproveitou que não havia mais perguntas encerrou a reunião. O emissário submarino foi aprovado, a imprensa não questionou mais e no dia seguinte saiu nos jornais a brilhante explicação do Eng. Enaldo.

O "Emissário de Ipanema" funciona há cerca de 40 anos, de forma, como se diz, "plenamente satisfatória".



Miguel Fernández y Fernández, engenheiro, cronista e articulista, membro da Academia Nacional de Engenharia e do Instituto de Engenharia # escrito em 2016jul/set R2026janRa,  2.380 toques




 
 
 

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