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Pérolas Televisivas

Foto do escritor: Miguel Fernández
Miguel Fernández
2 de out.
4 min de leitura

Trata-se de registrar cenas vista e diálogos ouvidos:


01_  Contextualizando, era 1977 ou 1978, o presidente era o general e ex-presidente da Petrobrás Ernesto Geisel. A censura aos meios de comunicação (rádios e televisões), além de política, também era de costumes. Palavras ditas “de baixo calão”, nem pensar, e muito menos dizer.

Aos domingos à noite, depois das 22hs, havia um famoso programa na televisão (Resenha Esportiva ?) que, em resumo, era uma mesa-redonda, sobre os jogos de futebol do fim de semana, moderada pelo jornalista e locutor Luis Mendes, com a participação de João Saldanha e outros jornalistas esportivos importantes (S. Noronha?, A. Nogueira?, JM Scassa? N. Rodrigues?) e um ou outro jogador e/ou técnico e/ou dirigente de clube convidados. O programa ia “ao ar” “ao vivo” (não gravado), pois as gravações ainda eram caras.

Naquela época, o Paulo Amaral, famoso preparador físico das seleções brasileiras campeãs mundiais de 1958 e de 1962, fora trabalhar na Arábia Saudita, no Al-Hilal. Lá teve algum desentendimento, quis voltar, mas seu passaporte ficou retido, e êle tornou-se virtual prisioneiro. Após muita indignação da imprensa e até intervenção do Governo Brasileiro, foi liberado e voltou ao Brasil chegando no meio da semana (um setembro?).

No domingo seguinte à sua chegada, foi convidado a participar do “Resenha Esportiva” e expor sua epopéia. No transcurso da conversa, ao vivo, Paulo Amaral distraiu-se e falou um “porra” quebrando o rígido decoro do radio-televisão da época. Como era de praxe, o moderador, Luis Mendes, interrompeu a mesa redonda pedindo “os comerciais por favor”.

Após os comerciais, com cerca de dois minutos (?), voltou a imagem e o som da “mesa redonda” e Luis Mendes explica aos espectadores que o Paulo Amaral estava recém-chegado de uma situação tensa, em país de língua e costumes diferentes, ainda com os nervos à flor da pele e que tinha certeza de que os espectadores haviam de compreender e relevar o ocorrido. Isso já era completamente atípico, sempre que acontecia algo parecido, os programas eram interrompidos, retornavam como se não tivesse havido nada e prosseguiam. Talvez o autor da “gafe” fosse punido, afastado, sabe-se lá o que mais, mas era asim.

Então Luis Mendes dá a palavra de novo ao Paulo Amaral, que imediatamente, educadamente e compungidamente diz:

_ Senhores telespectadores, peço desculpas pelo “porra” que eu soltei. E se cala.

Longo e prolongado silêncio geral, ninguém acreditando no que tinha ouvido, ninguém sabendo o que fazer, inclusive o cinegrafista (câmera man) que começa a focar o teto do recinto. Só se ouviam uns risinhos captados pelos microfones.

Ao cabo de uns instantes, que duraram uma eternidade, João Saldanha toma o microfone e, para alívio do Luis Mendes, que não sabia o que fazer, começa a falar algo e o câmera logo focaliza o Saldanha:

Saldanha_   Paulo Amaral, você me fez lembrar meus tempos de juventude, num domingo ali na esquina da Rua Miguel Lemos com Av. Copacabana, a turma toda já meio alta, tomando umas e outras.  Lá pelas tantas, passou uma senhora balzaquiana, num biquini ousado, mas não condizente nem com a idade nem com o fisico da mulher, ou seja, mostrando o que não devia, e um colega, o Cláudio, comentou apontando a mulher:

Cláudio_           com aquela ali eu não saia nem que me pagassem!

Saldanha_        outro frequentador do bar, o Rui protestou dizendo:

Rui_                 calma aí, é minha mãe pô!

Saldanha,         e o Cláudio tentando corrigir:_

Cláudio_           comia sim, comia sim...

A Resenha Esportiva saiu do ar e só voltou dois domingos depois com outro grupo de jornalistas.

Bons tempos em que a televisão tinha essas coisas. Agora perdeu a graça....

 

 

02_  Na excelente série (2001 a 2003) “OS NORMAIS”, da TV Globo, com os personagens (noivos morando separados no Rio) Vani (Fernanda Torres) e Rui (Luiz Fernando Guimarães) conversando sobre posições sexuais, referindo-se ao livro (Indiano?) KamaSutra e as versões ocidentais, com a famosa 69 (sessenta e nove), ou 96 (noventa e seis) e o Rui propõem fazerem a 70 (setenta), que não estava no KamaSutra.

Então a Vani pergunta: _ 

_    Setenta?  Nunca ouvi falar!

E o Rui explica:

_        é a 69 mais um dedinho no cú...

Intervalo para os comerciais.

O programa já era gravado e editado, mas como ninguém cortou, certamente passou por molecagem do editor pois até os artistas riram da novidade da gíria.

Como era passado por volta da meia noite, quem viu, viu, quem não viu, ouviu.

O Google diz que foi no episódio 19 da temporada 1.

Melhor conferir no Globoplay.

 


03_  Creio que foi por volta de 2003, em entrevista a Amaury Júnior (ou teria sido a Tom Cavalcante?), logo após o estilista e entrevistador Clodovil Hernandez ser demitido da RedeTV(?) por ter contado, ao vivo, que a namorada (Luisa Mell ?) de um diretor da emissora (Amilcare Dallavo Jr. ?) teria saido com um conhecido artista pornô:

Amauri_         Porque você fez isso?

Clodovil_        Soube, e não resisti a ser o primeiro a contar...

Amauri_         Dizem que êle é bem dotado...

Clodovil_       Amauri, deixa eu te dizer uma coisa, não faz sentido, quem gosta de pau grande é viado, mulher gosta é de dinheiro

Tudo ao vivo e a cores....



Miguel Fernández, engenheiro e cronista.
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