SOBERANIA AMBIENTAL e PETRÓLEO

O PIB brasileiro em 2025 foi estimado pela ONU em US$ 2,27 trilhões (=2,27 x 1012). Então a renda per capita média anual, no Brasil era: ≈US$ 11.000 / habitante.ano. Em uma lista do FMI (2024), com 185 países, o Brasil ocupou o 76º lugar (critério PIB).
Considerando a grama do ouro 24k (gAu24) média em 2025 como sendo ≈US$ 112, resulta que o per capita brasileiro em 2025 foi de ≈95g / hab.ano. A referência ao “ouro 24” é necessária para comparações. Se não for assim, além de diversas moedas, que até no mesmo lugar, variam no tempo, a eliminação dos efeitos inflacionários fica sujeita a distorções facilmente manipuláveis.
como curiosidade, e sempre em gramas de Au24k por habitante e por ano, a Alemanha está em 18º com ≈472g, o Uruguai em 47º é o primeiro latino-americano, com ≈200g, a China em 66º com ≈115g, a Argentina em 68º com ≈110g e o Perú em 84º com ≈72g
Seria inocência acreditar que os países podem ser todos igualmente ricos e prósperos, ao mesmo tempo. A maioria se preocupa em ser melhor que o vizinho ou nem tão vizinho, e as armas podem ser simples demagogias. Em 2025 o Brasil tinha só 2,5% da população mundial e uma densidade populacional da ordem de ¼ da média dos outros países (considerando terras habitáveis). Logo, não somos nós que estamos pressionando o ambiente!
Nossa população precisa Trabalho, Dignidade e Estabilidade. Quem dá Trabalho, Dignidade e Estabilidade a um país são, predominantemente, as atividades ligadas à engenharia.
Que o diga a China, pelo que fez nos últimos 50 anos! Foi “engenharia na veia”! Em 1975 o per capita anual da china era ≈34gAu24k, em 50 anos passou a ≈115g, mais de 3,4 vezes!
Entretanto, quando nossa engenharia começou a se aproximar da “velocidade de escape” do subdesenvolvimento, com nossas empreiteiras fazendo grandes obras, por todo o mundo e aqui, indústrias como a brasileiríssima WEG se consolidando como a maior fabricante de motores elétricos do planeta, com fábricas em muitos continentes, nossa agricultura e nossa pecuária batendo recordes de quantidade e produtividade, com qualidade, nosso Proálcool mostrando nossa criatividade;
Quando a nossa PETROBRAS apostou em nossa engenharia e na produção de petróleo em locais até então inacessíveis, e passamos a ter excedentes.
Quando nossa extração e exportação de minérios passou a ser competitiva, tornando as exportações superavitárias e pagando nossas importações,
Coincidentemente, começamos a assumir agendas desconectadas de nossos interesses e de nossas responsabilidades, ou seja, sem razões reais:
nossa matriz energética é uma das mais limpas do planeta, só não é melhor porque ferrovias, hidrovias e portos só conseguem licenciamentos após tramites, atrasos e custos exorbitantes, obrigando a voltar a implantar termoelétricas, em parte para atender problemas gerados pelas eólicas e solares, e pela falta de reservação nas hidroelétricas, viés adotado por pressões de pessoas e organizações que se dizem preocupados com a nossa esfera hospedeira, sem uma palavra sobre demografia! Sem uma palavra sobre soberania!
nossa eletricidade, com ≈56% da potência anual gerada por hidroelétricas (≈425.000 GWh dos ≈770.000 GWh totais em 2024), gera poluição desprezível
nossos fornecimentos, empreendimentos, projetos e obras públicas e privadas, complexas e arrojadas, feitas aqui e no exterior, com técnica e qualidade, orgulho de nossa engenharia, começaram a ser auditadas com humilhantes formalidades contábeis, por “professores de Deus”, como se tudo o que foi feito, fosse malfeito e não uma arte de se adaptar ao mundo real,
Então, é lícito perguntar, quando e qual país, hoje dito desenvolvido, não procedeu de formas similares? E com uso de força. O Brasil e a engenharia brasileira não podem mais se calar e serem prejudicados com esses discursos, sob pena de vermos nossos netos emigrando ou se conformando em ser cidadãos de 3ª classe.
A estratégia do politicamente correto só tem servido aos interesses dos que não têm argumentos e precisam do silêncio de quem discorda.
Por que a PETROBRAS não consegue liberar as perfurações que precisa para pesquisar novos campos de produção? Por que a implicância com a “margem equatorial”?
Por que nossas usinas hidroelétricas novas (de 1990 em diante) deixaram de ter reservatórios de regularização e passaram a ser projetadas para serem operadas só “a fio de água”?
Por que o nosso programa nuclear está tão atrasado? Por que uma pequena hidroelétrica “a fio-de-água”, ou uma estrada, ou uma hidrovia, ou um porto, levam mais de 10 anos para conseguir licenças ambientais?
Será que há perseguição à nossa engenharia e à nossa produção ou nós nos enredamos sozinhos?
É preciso cuidar do ambiente, mas com razão e lucidez, sabendo que é preciso progredir e melhorar a vida de nossa gente. Entendemos que uma coisa não exclui a outra: progresso e cuidar do ambiente.
O Brasil também precisa entender isso, com rapidez.
Não existe e não existirá soberania sem engenharia.
Engº Miguel Fernández y Fernández, Membro da Academia Nacional de Engenharia
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