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Umas & Outros, parte 2

Foto do escritor: Miguel Fernández
Miguel Fernández
29 de set.
8 min de leitura

(complementações táticas)


Como uma coisa puxa outra, vem à mente conversas e temas que vimos e ouvimos dizer, como táticas e alegações usadas por ambos os gêneros, que as dizem claramente, ou dão a entender para fazer sexo com o(a) outro(a).

Para organizar o assunto dividimos em dez grandes grupos:

01_ tesão específico ou par constante (TE)

02_ tesão indeterminado / adiantado da hora (TI)

03_ curiosidade / coleção (CC)

04_ despeito, vingança, descuido e abandono (DD)

05_ curra / assédio (CA)

06_ comemoração ou evento (CE)

07_ raridade / histórico (RH).

08_ local (barco, avião, hotel, cidade, etc) (LL)

09_ caridade / pena / insistência (CI)

10_ necessidade, dinheiro (DI)

Vamos lá,

01_ TE: evidentemente (e felizmente) é o maior contingente e responsável pelo maior número do cópulas no planeta: o casal se interessa um pelo outro, se atraem, se consentem e formam um par perfeito, ao menos por algum tempo ou, se derem certo, por muito tempo.

02_ TI: trata-se do pessoal que tá a fim, e solteiro, os hormônios funcionando, a virgindade já era ou não é tábú. A possibilidade do coito vai depender da sorte de haver duas pessoas na mesma situação, na mesma área, no memo horário, se verem, se notarem, além de um passar nos filtros um do outro. É conhecido e sabido que esses filtros vão diminuindo com o adiantado da hora e o tempo em jejum de cada um. Todos(as) já passaram por isso e não é preciso explicar. Tem diversas desculpas, “bebi demais”, “nem lembro”, “fomos dividir o taxi e acabou acontecendo”.

03_ CC: Tem o(a) colecionador(a) e o(a) curiosa. Parece que uma coisa puxa a outra:  Ainda não saí com um(a) norueguês(a), será que são iguais? E um(a) bahiano(a)? E vira um problema completar o álbum de figurinhas da geografia.  A curiosidade é uma vertente acessória dos (as) colecionadores(as). Tem desculpa para aquilo, seja jornalista, economista ou vizinho de infância...  Todos conhecem histórias que se encaixam ou já se encaixaram ou foram encaixados nessa categoria. Digno de registro, ouvimos de um diretor de grande colégio no brasil central: um pai separou e ficou com os 4 filhos, ou seja, fora do normal dos costumes em nossa sociedade, tipo o Ronie Von com duas filhas (mas sem ser tão bonito) ou o próprio diretor desse colégio com um filho. A notícia se espalhou e o coitado não podia mais ir à reunião de pais (onde predominam mães) pois era assediado pelas mães descasadas, de forma acintosa e foi se explicar com o diretor porque não iria mais, já que umas começavam a ter ciúmes das outras e ele temeu pela integridade física das crianças, kkk.

04_ DD: Quando a gente se formou e não casou logo, e os(as) que casaram logo e separaram logo, freqüentavamos as famosas “festinhas”, fossem na casa de alguém, fosse nas boites, organizadas pelas SN do ramo. Ninguem era mais virgem, era a geração da pílula... Nosso grupo tinha o AB, alto, bonito, bem sucedido, um don juan em pessoa.  Quando chegávamos a esses recintos apareciam logo umas 5 que davam em cima dêle. Era só ficar prestando atenção e logo após ele escolher qual, era só atacar qualquer uma das outras.  Não falhava, sexo certo naquela noite mesmo. Enquanto o AB ainda ia levar uns dias para abater a caça.  As nossas não, ficavam despeitadas e partiam para a vingança, pra ver se a gente contava pra êle o que tinha perdido. Quando a vingança tinha requintes de crueldade é que era melhor, se é que me entendem. Esta classificação também vale pra cá e vale pra lá: pra eles e elas. Os caras que não cuidavam da sua horta, ou as hortas precisavam de muita irrigação criavam situações em que um acabava não dando conta do outro rapidamente partia para outro (a).

05_ CA_ Acontece. Trata-se de situação em que um ou outra, parte pra cima do outro e agarra. Quando é o caso delas partir pra cima deles tem uma grande chance de não dar certo pois não sendo o que os costumes da nossa sociedade esperam como normal ou aceitável, a chance de o assediado “brochar” é consideconsideável. Quando o assediador é o homem, trata-se de uma atitude inadequada mas, pelas narrativas ouvidas, às vezes funciona, mas quando se enquadra no caso TI ou em outro qualquer e só faltava coragem. E também porque há uma tendencia em determinado público em gostar do menino mau ou da menina má. Masoquismos, Sadismos, outros ismos. Tô fora, mas que há, há.

06_ CE.  Quem não foi a alguma festa ou congresso, ou resolve comemorar algum evento?

Tem a linda bahiana secretária da engenharia, que ia casar em set 1984(?), por aí e, um mês antes, no dia que o noivo ia fazer sua despedida de solteiro resolveu fazer a sua, escalou um colega de trabalho casado (certamente para garantir segredo) e o intimou. Deu certo. Soube porque tive que ficar de sobreaviso para eventual álibi do amigo. Quase que falei: “vou-querer-também-se-não-conto-pra-todo-mundo”, mas resisti. 

Em set1995 uma profissional universitária foi a um congresso em salvador e dividiu hotel com uma colega de trabalho. Resolveu ir à praia e “ficar um pouco mais”. Não voltou até as sete da manhã. A colega de trabalho preocupou-se (morreu afogada?), avisou a outros colegas da mesma firma, comunicaram o desaparecimento à policia, avisaram a família em São Paulo, o marido foi para o aeroporto, os alto falantes do congresso (na época era assim) comunicaram o seu desaparecimento. Quando ela chegou ao congresso e se deu conta do tamanho da confusão, quase matou a amiga. Soube-se depois que o que motivou o problema fora o “guarda-vidas” da praia. Como se diz, virou estatística e deve ter acabado com o casamento, o que pode ter sido um benefício paralelo.

07_ RH_ quando a ponte Rio-Niterói foi inaugurada, um casal resolveu fazer sexo no vão central para “inaugurar a ponte”. Na época tinha uma faixa que era acostamento. Pararam ali e pronto. Quando a segurança chegou e sacou o que era, criou caso. Saiu nos jornais com a linguagem cifrada que a época permitia, mas que para bom entendedor era suficiente. Foi o bastante para dois casais conhecidos se entusiasmarem, conseguirem uma Kombi, botaram um colchão na parte de trás enquanto um casal dirigia para Niterói o outro dirigiu na volta. Imagina o fuk-fuk nos trens noturnos, inaugurar  hotéis novos, passar o ano estando engatados, e por aí vai. São iniciativas delas e deles. Criatividades. Um urologista me contou do caso de um paciente que aproveitou a separação para fazer operação de fimose. Precisava ficar quieto uns 15 dias. Como ele estava tecnicamente solteiro, umas três amigas que souberam, fizeram fila forçando a barra para “desvirginar”, “reinaugurar” o cara, que acabou tendo de consertar a cirurgia.

08_ LL   O exemplo é o de um casal que nunca tinha feito sexo entre si mas o rapaz andava rondando a presa e provavelmente vice-versa. Foram dar uma voltinha no veleiro dele e foi tiro e queda. Em seguida ela falou: é a primeira vez que faço sexo em um barco... (seria uma colecionadora?).  Outra, ao ser convidada a ir a Buenos Aires em voo noturno para fazer sexo durante o voo, topou, mas fez questão de mostrar que dominava o assunto, disse que já tinha feito!  Dizem que grande número de frequentadores da roda-gigante do Porto Maravilha também tem esses fetiches: a cabine é fechada e leva meia hora ou mais para dar a volta.

09_ CI... É triste mas é verdade, quem já não fez caridade e atendeu uma alma vazia e solitária? Êles e Elas. A literatura e o cinema apresentam muitos casos. O filme Abraços Partidos (Almodóvar 2009) começa com uma cena em que um personagem cego que é ajudado por uma mulher na rua, acabam indo às vias de fato em poucos minutos. Claro o cego é o artista bonitão, os filmes pedem sexo e suspense, mas que existe, existe.  Normalmente é reciproco, mas poucos assumem isso. Nem sempre dá certo. Tem a célebre piada do Joãozinho que estereotipa a situação: aceita logo porque vai ser menos chato. Acho que se incluem nesta categoria certos casos no trabalho. Tanta gente no mundo e a pessoa vai escolher logo ali? E se não der certo? E se todo mundo souber?  Acaba caindo no caso de buscar outra pessoa também casada para tentar manter segredo. E segredo, com mais de um sabendo, é impossível.

10_ DI_   Preliminarmente, cabe dizer que a profissão mais antiga do mundo não deve ter sido a de prostituto(a) pois, se antes da criação do homem era o caos, a primeira profissão deve ter sido de economista.

Sexo por necessidade de dinheiro é muito triste. Como a parte que paga consegue? Alguns dizem que sai bem mais barato. Será? Também tem aquela definição de prostíbulo: “onde os menininhos maus das famílias boas comem as menininhas boas das famílias más”. Será? Piadinhas à parte, parece uma confissão de incompetência dos que se propõe a pagar por sexo. E, para não cair no lenga-lenga da luta de classes, também não se deve esquecer que os(as) aliciadores(as) também eram e são de classes sociais e preferências equivalentes.

Os anúncios classificados de “acompanhantes”, nos jornais e internet, do mundo inteiro, não deixam dúvidas da pujança do mercado e o contingente de “trabalhadores do sexo” o faz por necessidade. São pessoas precisando de dinheiro.

Não vale argumentar com as exceções, como Hilda Furacão (1930-2014) em Belo Horizonte, Gabriela Leite (1951-2013) da DASPU em São Paulo SP, Bruna Surfistinha no Rio e certamente outras por aí como Christine Keller (caso Profumo), e a deputada (1987-92) húngaro-italiana “Cicciolina”.  Também não vale argumentar com a ficção:

Belle du Jour (Luis Buñuel 1967) a personagem de Catherine Deneuve não precisava, mas ia lá para se livrar do tédio, talvez um pouco de masoquismo e de ninfomania. 

No mesmo filme já citado neste livro (Abrazos Rotos 2009), Penélope Cruz, a personagem principal, liga para a cafetina e diz: “preciso dinheiro”. Ou seja, nem era a primeira vez. A restrição moral, o motivo também não precisa ser forte.

            No seriado de televisão Lei & Ordem, tem um episódio em que os policiais vão a uma produtora de filmes pornográficos por causa de uma investigação de corrupção infantil e, quando a policial bonitona entra “de surpresa” na sala do diretor, é recebida com distração e desdém: o RH (recursos humanos) para testes é na sala tal.... Quando entende que é a polícia, explica que todos chegam ali dizendo que precisam de dinheiro. E quando questionado sobre a moralidade do seu trabalho diz: eu não faço nada de errado, estou casado com a mesma mulher há 30 anos, mãe de meus dois filhos, adoro minha família e minha família me adora, pago meus impostos, todos sabem que produzo filmes pornográficos e não aceitamos ninguém abaixo de 25 anos nem entre os artistas nem na administração. Atendo a demanda, se não for eu será outro, e conclui: já pensou quantas curras não são evitadas pelos filmes pornográficos?

A chamada “vida fácil”, nada deve ter de fácil.

O assunto, é vasto, bastando ver a quantidade de palavras só para explicar alguns personagens: 

  • Cafetão, rufião ou “proxeneta”: pessoa que vive do dinheiro ganho com a prostituição de outra pessoa, que a necessita pela pela dependência psiquica e/ou pela segurança que oferece ou parece oferecer

  • Cafetina (madame): administra prostibulos ou agencia programas sexuais.

  • Gigolô (sugar boby e sugar mommy): pessoa que se relaciona com outra mais velha, do mesmo sexo ou não, por interesse financeiro ou material

 

O tema é inesgotável.

 
 
 

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