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Umas & Outros, parte 1

Foto do escritor: Miguel Fernández
Miguel Fernández
29 de set.
5 min de leitura

(estatísticas e opiniões, homens e mulheres, análise combinatória)


Desde sempre nossa sociedade acha que, ao longo da vida, os homens têm mais parceiras do que as mulheres. Acabou virando um “axioma” (*1)

Meu amigo começou a escrever este artigo, há muito tempo, por volta de 1990, interrompendo porque, houve um momento, em que nem sabia mais se valia a pena divagar sobre a dicotomia homem x mulher. Agora me passou o encargo de finaliza-lo, com sua acessoria.

Como está na moda dizer que as coisas, ou são científicas, ou são “negacionistas”, vamos nos ater à ciência, no caso à matemática aplicada à estatística e à observação cartesiana de mais de 70 vividos do amigo.

Organizando dados populacionais dos últimos anos (fonte: dados da ONU, IBGE e outros, obtidos pelo google, com preocupações só das ordens de grandeza) conclui-se que a população foi e está assim composta:

Como se vê, as diferenças percentuais entre homens e mulheres, no total da população, são mínimas, desprezíveis, insignificantes. Se olharmos a faixa etária interessada em sexo, as diferenças devem ser ainda menores, ou seja, para uma análise estatística séria, sem deturpações, sem exceções, sem viés disto ou daquilo, pode-se afirmar que o número de homens e de mulheres é, na prática, igual.

Ora, se as mulheres acham que os homes á fizeram sexo com mais de 50 mulheres ao longo da vida (o que não deve estar muito errado), estatisticamente falando, cada mulher também fez sexo com mais de 50 homens ao longo da vida.

Achar que cada homem “ficou” com 50 mulheres, e que as mulheres só ficaram com um ou dois homens, significa acreditar que, ou metade das mulheres “ficam” com 5.000 homens ou mais. Certamente, a hipótese mais verossímil, é que todas também estão “ficando” na mesma proporção e quantidade.

Então, se os Joãos saíram, saem, com mais de 50 mulheres ao longo da vida, como as Reginas, suas mulheres, dizem que tem certeza, é altamente provável, diz-se “científico”, que as Reginas também tenham saído com quantidades idênticas  de homens.

Conversando com umas e outros, a maioria se surpreende com a colocação e tentam replicar:

_     ah, mas as prostitutas!     e os prostitutos?  E as dúvidas são só com as prostitutas?

_     ah, mas os homossexuais ..........ah, mas os há de ambos os lados!

Como nada indica que os homossexuais femininos sejam mais ou menos numerosos ou de comportamentos distintos (mais ou menos ativos) dos homossexuais masculinos, não deve haver nenhum desvio estatístico do que aqui se quer evidenciar, ou seja, a freqüência de interlúdios para qualquer grupo pode ser tomada como equivalente.

No fundo, parece um problema psicológico de costumes: os homens não querem ver o óbvio (machismo?), e as mulheres querem fazer crer o improvável (dentro de uma visão também machista) pois preferem dizer que suas “conquistas amorosas” não são aceitas (assumidas) por elas mesmas.

É quase irresistível considerar que a matemática, a análise combinatória (AC), que trata de arranjos, permutações e combinações, se aplica também a essas coisas humanas. Vejam a definição (*1) do fenômeno:

“AC é um conjunto de procedimentos que possibilita a construção de grupos diferentes formados por um número finito de elementos de um conjunto, sob certas circunstâncias. Nesses grupos é possível realizar a análise das possibilidades de combinações com e sem permutações. É a ciência que possibilita a identificação de eventos e o cálculo das probabilidades discretas” (*3).

Parece a interface da matemática com o kama-sutra, faltando um linguajar parabólico, com viés pernósticamente psico-eloquente que só os grandes mestres, com doutorados e pós-doutorados são capazes. Como um enólogo descrevendo os vinhos. Da matemática aplicada à psique. Quase aceitando que a tal da Inteligência Artificial existe e se aplica ao comportamento das pessoas.

No caso, trata-se de “combinação simples”.  Suponha-se um enunciado assim proposto:

“sejam dois grupos de “p” elementos de um conjunto total “n”. Por exemplo, dois grupos, um de 10 homens e outro de 10 mulheres, de um conjunto de 20 pessoas, todos hetero. Quantas combinações de casais hetero podem surgir?

A fórmula é:

Quem lembra? Combinação de 20, 2 a 2 é igual a fatorial de 20 dividido por fatorial do total de elementos de cada conjunto, multiplicado pelo fatorial do número de pessoas, menos o número de elementos de cada conjunto.

Ora, se em um grupo de 10homens + 10mulheres já se conseguem 190 possibilidades de “acasalamento”, mesmo que ninguém fique com as 10 pessoas do sexo oposto, são 190 possibilidades!

Em uma turma de colegial, com cerca de 30 pessoas, sendo 15 meninas e 15 meninos, a conta daria 435 possibilidades de acasalamento.

As “combinações” não vão ocorrer todas ao mesmo tempo, há uma tendencia de as mulheres preferirem homens mais velhos (até uma determinada idade!), tem gente muito difícil, dos dois lados, mas confessa aí, com quantas pessoas do colégio, do trabalho, do quarteirão, do clube ou do partido, você acabou ficando, pelos mais diversos motivos, ao longo da vida?  Como essas combinações não precisam ocorrer no mesmo dia, dos 15 anos aos 65 anos são 50 anos, ou seja, 18.250 dias.

Se organizar direitinho, dá tempo de passar o rodo no colégio, na universidade, no trabalho, no clube, no quarteirão, no sindicato e no partido. Seja pela causa, seja pela sobrevivência, seja pela curiosidade, seja porque antes-mal-acompanhado(a)-do-que-só.

Portanto, se for um axioma que cada homem saiu, em média, com “N” mulheres, tudo indica que, cada mulher, também saiu, em média, com “N” homens.

Mas, a favor das mães, esposas, filhas e amantes monogâmicas, dos nossos leitores e leitoras, é possível que existam menos interfaces, pois a totalidade é composta de conjuntos e estes, compostos de subconjuntos e nada indica que não haja “ilhas” de costumes. Mas sempre se aplicaria aos dois sexos. Se alguém achar que só vale numa direção, está admitindo o improvável, o impossível. A epidemiologia, que estuda a disseminação de doenças sexualmente transmissíveis e as taxas com que se propagam, devem saber bem disso, mas os urologistas precisam ser discretos para não perder os(as) pacientes. Andei perguntando e concluí que, normalmente, seguem essas leis imutáveis e confirmam nossa reportagem.

E você leitora, vai continuar não confessando o evidente? Se o seu marido teve mesmo “N” casos, é muito provável que você também os tenha tido, afinal, estão no mesmo grupo e sub-grupo. Vai deixar tudo por conta das vizinhas? Ou quem sabe seu marido não é (foi?) tão garanhão assim? Nem você.

O que vale pra cá, vale pra lá.

Alguém já disse, os números não mentem, jamais.  Entretanto, a matemática, pelo ramo da estatística, aplicada à psique, às pessoas, à sociedade, não pode ser feita sem interpretações. As pessoas não devem ser tão iguais. Deve haver ilhas. No tempo e no espaço. Mas dificilmente seus(suas) parceiros(as) não estão na mesma ilha que você.

Apesar de alguns(mas) ideólogos(as) não entenderem assim.


(*1) Dicionário AULETE 2011, pág186
axioma, sm. 1 Fil. afirmação que não exige prova para que se considere verdadeira; 2 Expressão com um sentido geral ou um principio moral: MAXIMA (F: do latim axioma, do grego aksioma)
axiomático a. 1 Ref ou que encerra axioma; 2 Claro, evidente, incontestável (verdade axiomática) F: do grego aksiomatikós
(*2) acesso google 25dez2025 weekpedia:  A população mundial masculina é ligeiramente maior ao nascer (cerca de 105 homens para cada 100 mulheres), mas devido à maior longevidade feminina, as mulheres superam os homens em idades avançadas, com projeções da ONU indicando paridade de gêneros ou até predominância feminina em décadas futuras, embora haja variações regionais, com a Europa tendo mais mulheres e países como China e Índia apresentando mais homens.
(*3) dicionário aurelio
(*4) ari quintela, matemática \ análise combinatória

Miguel Fernández, engenheiro e cronista, escrito em 2020jul, R2025dez Rf     7.626 toques

 
 
 

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