O Assaltante
- Miguel Fernández

- 1 de abr. de 2017
- 2 min de leitura
Em 1972 ou 1973, o arquiteto Júlio Rubbo, que já fora diretor do Departamento de Limpeza Urbana de Porto Alegre, do Dmae, era personagem conhecido nacionalmente, bastante ativo na ABES, na Aidis e nos respectivos congressos. Ele morava em Porto Alegre.
Neste episódio, creio que ele estava diretor e/ou consultor em São Leopoldo (ou Gramado ou Canela segundo o Percy). As estradas eram mais estreitas do que hoje, e era comum as pessoas pedirem e darem carona, hábito que foi desaparecendo com o aumento da insegurança (assaltos, etc.). Também era muito comum as pessoas andarem armadas (causa e efeito na insegurança ou mera coincidência?).
Todos os dias pela manhã ele pegava o seu carro e dirigia até esses municípios. Voltava no fim da tarde. Numa das manhas, deu carona a um rapaz.
Numa das curvas achou estranho que o rapaz tivesse se desequilibrado a ponto de esbarrar/encostar nele, motorista. Ficou preocupado e apalpou o bolso do paletó com a carteira. Não estava mais lá!
Pensando rápido, não disse nada e foi parando o carro alegando que parecia estar com um pneu furado e ia ver. Ao parar, já estava com a arma na mão e olhando fixo para o rapaz foi logo dizendo: "Passa a carteira".
Ordem obedecida, carteira entregue, o carona foi deixado ao sereno, no meio da
estrada, sem conversa.
Dia que corre, tudo normal, à tardinha, chegando em casa, sua esposa estava muito preocupada porque ele havia esquecido a carteira!
Como o carona havia dado queixa na polícia do "assalto" que sofrera, e não achou graça nenhuma no ocorrido (nem o delegado), o assunto rendeu uns bons anos e aborrecimentos ao Rubbo até ser encerrado.
Miguel Fernández y Fernández, engenheiro, cronista e articulista, membro da Academia Nacional de Engenharia e do Instituto de Engenharia # publicado na revista ABES Rio em abr/jun2017, 2.977 toques




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