Quase-quase e correlatos

Atualizado: há 5 dias
Há no Rio de Janeiro, entre Copacabana e Ipanema (muito próximo à Elevatória de Esgotos André Azevedo, que bombeia para o emissário submarino de Ipanema), uma rua chamada Bulhões de Carvalho, que a irreverência popular batizou de rua do Quase-Quase (para os matemáticos, Quasi-Quasi).
Hoje com os mapas com GPS é fácil, mas houve quem pegasse um táxi para essa rua e o taxista nem saber o verdadeiro nome da homenagem. Era e é a rua do quase- quase e pronto.
Também no Rio, no caminho para a ETA do Guandu, pela Avenida Brasil, havia que sair à direita no viaduto "dos Cabrito" (sic). Foi assim que me explicaram muitas vezes. Fossem engenheiros, motoristas, a explicação era sempre cuidar para não passar o viaduto "dos cabrito", pois o retorno seria muito longe. Fiz esse caminho diversas vezes e orientei muitos colegas com essa cuidadosa explicação. Qual não foi minha surpresa quando, recentemente, o DER reposicionou uma placa que era meio invisível: "Viaduto Eng. Oscar Brito" .... sem comentários
O pai de um amigo chamava-se Heitor, mas não havia forma de chegar à fazenda dele pedindo informação ao pessoal da região. Depois de muita conversa, sabia-se que entre as fazendas das proximidades havia uma do "seu Reitor". Sem alternativa, fomos para lá ... Bingo!
Isso tudo me veio à mente quando me contaram de um senhor especializado em materiais para laboratórios, que ia visitar um centro de pesquisa e desenvolvimento de nossa área, onde seria recebido pela bióloga Dra. Herda, pessoa de fino trato, loira de ascendência alemã, excelente profissional. Na véspera do dia aprazado, o senhor, preocupado com a logística, telefonou para o centro de pesquisa para confirmar hora e local de encontro. A telefonista atendeu e ele pediu para falar com a Dra. Osta. Após um prolongado silêncio, a telefonista disse que não havia ninguém com aquele nome, e titubeando perguntou se não seria com a Dra. Herda. Outro silêncio mais prolongado ainda e o colega desliga sem falar nada. Ainda traumatizado comunicou o que houve aos colegas da empresa e recusou- se a ir fazer a visita. Sem conseguir falar de tanto rir, os demais colegas acharam melhor confirmar a hora e o local por msg e zap e mandar alguém que não soubesse do ocorrido para não acontecer de começar a rir durante a reunião.
Miguel Fernández, engenheiro e cronista.
2018jul/set, Revista Bio, 2.309 toques

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